Nem todos os empresários da música concordam com a estratégia da Trama. Para o vice-presidente do iMúsica, Cláudio Campos, os programas
peer-to-peer não servem como divulgação. Parceiro da Trama e de mais 70 selos e gravadoras, entre elas duas multinacionais (BMG e EMI), o iMúsica funciona como uma espécie de ITunes (sistema de venda de música digital da Apple) brasileiro, vendendo aqui faixas a R$ 0,99 cada.
- Dizem que programas como o Napster fizeram com que as pessoas entendessem o que é musica digital, sem que as gravadoras gastassem um centavo com isso. Mas isso desvalorizou a música - alerta Cláudio, 38 anos, ex-jornalista da revista Bizz e desde os 19 trabalhando no mercado fonográfico.
Ele também vê problemas de segurança:
- Ao compartilhar a máquina com outras pessoas, você cria um problema de segurança: o MyDoom passava pelo Kazaa - acusa, a respeito do vírus que também é transmitido por e-mail.
O diretor artístico da Universal Music no Brasil, Max Pierre, acha que o site iTunes, da Apple, seria uma saída:
- Até agora, mais de 50 milhões de músicas foram vendidas - exagera. Pierre é categórico contra a troca gratuita de MP3:
- A Universal é uma multinacional com normas que proíbem difusão de músicas através de serviços como o Kazaa - adverte.
Para os DJs, o p2p é ferramenta de trabalho. Edinho (Bunker) e Jesse Marmo (Casa da Matriz), não podem perder o passo e deixar de tocar o que rola nas pistas lá fora.
- Baixo música da internet, sim... mas não copio pra ninguém. Uso pro meu trabalho - conta Edinho, 41 anos.
Jesse, por sua vez, acha que no Brasil o MP3 não pode ser sinônimo de pirataria:
- Ou alguém ainda acha que camelô que vende três CDs piratas por R$ 10 sobrevive às custas de MP3 baixados na rede? - zomba Jesse, de 30 anos.
- Eu uso MP3 para poder tocar artistas que não são lançados no Brasil (comprar importado, por causa do preço, está fora de cogitação), músicas antigas fora de catálogo, versões remix que só são achadas na rede mesmo.
Mas ele garante que a tecnologia não o afastou das lojas:
- Sempre que tenho dinheiro sobrando e alguma loja de departamentos coopera com os precinhos, compro CDs.
Maurício Valladares, que comanda há mais de dez anos a festa Ronca Ronca, não se considera grande usuário de tecnologias para música na web mas entende o MP3 como ''uma ficha que vai cair na marra'':
- Não sei o que vai ter que acontecer pra que as pessoas se toquem de que isso é um atalho pra indústria. Não tenho conexão rápida, não consigo baixar música no computador, mas apóio tudo isso aí - diz o DJ, que no site do programa de rádio/festa www.roncaronca.com.br terá em breve coletâneas criadas por ele mesmo.
Entre as iniciativas que exploram o potencial econômico do MP3, há as que trabalham com a fidelização do público a um artista ou banda. O inglês David Bowie deu um exemplo bem sucedido com a sua BowieNet (http://www.davidbowie.com), onde fornece conteúdo exclusivo aos fãs por $64.99 anuais. No Brasil, os cariocas Los Hermanos saíram na frente com o Clube Hermanos (http://loshermanos.dh.com.br/clube/DefaultLogin.asp), com três planos, variando entre R$ 9,90 e R$ 89, para dar aos associados desde adesivos e acesso a chats com a banda até bootlegs e ingressos para shows. O tecladista Rodrigo Medina, o mais ''conectado'' do grupo, diz que há vantagem para todos no negócio:
- Os fãs ganham conteúdos específicos, a banda estreita a relação com os fãs e fortalece a própria imagem e a gravadora tem o trabalho de divulgação da banda facilitado.
Webmaster do site, Marcos Sketch, 23, afirma que mais da metade dos 9000 cadastrados entraram para o Clube.
- Já chegaram pedidos como ''quero passar um dia com vocês'' e ''faça uma música sobre mim'' - diz.