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Gravadora prefere relaxar e... conectar


Eduardo tem conexão veloz e, além do Kazaa, é usuário do Soulseek e do E-mule (para filmes). Seu pai, o músico e produtor Robertinho do Recife, acha que o rapaz perde tempo na internet:

- MP3 é um formato compactado, a maioria vem em oito bits... Isso é quase metade da qualidade de CD e a reprodução da música fica comprometida. Só serve pra quem não liga pra qualidade do som. Pra mim, nem de graça, ainda mais pagando. Quem acha que CD tá caro é que nunca viu como é produzido um disco, a quantidade de gente e trabalho envolvida na produção.

Independentemente dos bits, a realidade de Eduardo é a mesma de grande parte dos fãs de música no mundo inteiro, mesmo dos que não dispõem de conexão banda larga. Para gerações integradas com esta tecnologia, basta digitar o nome de um álbum, das faixas e até de filmes ou seriados de TV que tudo chega diretamente ao seu computador pela internet.

- Gosto de futucar os arquivos das pessoas e sortear coisas dali pra downloadear... é igual a ver CDs na casa de amigos e pedir alguns emprestados - explica Ney Frota, analista de sistemas de 33 anos. Miranda, da Trama, acredita que o hábito, que hoje passa por faixas etárias diferentes de consumidores de música, como Eduardo e Ney, não só é irreversível, mas é uma espécie de evolução de uma antiga mania de gente que gosta de som:

- O que chamam de pirataria online é o que a galera sempre fez antes, através de fitas cassete. Eu não chamaria de pirataria a troca de arquivo, é meramente cultural, é o que está fazendo a revolução na música. Cada vez mais o público está mandando, tem mais força sua opinião. Isso balança um sistema que já estava desgastado - conclui.

A estratégia da Trama é relaxar e... conectar: em setembro de 2003, por exemplo, a Trama fez blitze diárias por programas de compartilhamento de arquivos na web e deu brindes para quem era pego trocando MP3s da música Amor errado, de Fernanda Porto, que podia ser baixada no site da gravadora. Foram distribuídos CDs, bolsas e, no final da promoção, um MP3 Player. Em outubro, para preparar o terreno para o novo CD de Otto, foi lançado um single virtual da faixa Tente entender no iMúsica (www.imusica.com.br) antes mesmo de o álbum Sem gravidade sair. Aí não era de graça: a faixa custava R$ 0,99. Mas quem comprasse levava outra música, Avisa Gil, a capa para imprimir e wallpaper do cantor para o micro.

- Estamos vivendo algo parecido à época em que se vendiam e lançavam antes os singles pra depois lançar o disco inteiro. Uma música em MP3 pode ajudar a divulgar o artista do mesmo jeito - continua Miranda:

- Quem tem dinheiro e interesse por música, vai comprar, não importa o suporte físico.

No entanto, nem todos estão dispostos a adotar este método, por considerarem que já pagam um valor alto para estar conectados à internet:

- Comprar música na rede por $1 cada é super caro! Eu tenho que ter o computador, o HD, internet rápida e tudo isso já é caro. E se eu perder os dados do meu computador (o que é fácil), vou ter que baixar e pagar tudo de novo? - protesta o analista Ney.


[13/FEV/2004]


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