Indústria do disco lança novo ataque à troca de músicas pela internet, uma prática que até gravadoras começam a defender
- A música vai ficar cada vez mais forte na internet, não tem barreira de conexão lenta que possa impedir. O que chamam de pirataria online é o que a galera sempre fez antes, em fitinhas cassete.
Quem constata é Carlos Eduardo Miranda, diretor artístico da gravadora Trama, justo quando a indústria fonográfica trava mais uma batalha brancaleônica na guerra contra a troca de arquivos de música na web. De todos os P2P (peer-to-peer, programas de compartilhamento de arquivos) como o SoulSeek, Grotzker, Gnutella, LimeWire, Piolet, etc., escolheu-se para alvo da vez o Kazaa, que concentra mais de quatro milhões de usuários conectados a qualquer hora em sua rede, compartilhando músicas em formato MP3.
Na última semana, sob o comando das gravadoras Universal Music, Festival Mushroom Records, EMI, Sony, Warner e BMG, a Music Industry Piracy Investigations (MIPI, uma espécie de polícia anti-pirataria online) vasculhou computadores em três universidades na Austrália, além de provedores de internet, e até micros de uso pessoal, atrás de evidências de pirataria online promovida pelo Kazaa. Mas por quê investigar logo na terra dos cangurus?
Uma razão especial para isso é que é impossível rastrear todos os internautas, do mundo inteiro, que baixam músicas pelo software. A idéia então é investir contra a proprietária do Kazaa, a Sharman Networks, cuja base fica justamente em Sydney, capital australiana. Lá, a equipe do MIPI chegou a investigar computadores nas residências de dois executivos da empresa, à procura de algo que incriminasse a companhia. Mas a medida pode dar em nada:
- A Sharman Networks já está movendo uma ação para cortar esses procedimentos da MIPI e o juiz deve decidir sobre isso no dia 20 de fevereiro. A questão é: o Kazaa não possui um servidor central, portanto eles não podem provar nada contra nós - garante por telefone o porta-voz da Sharman Networks, Richard Cherlena.
O fato de não ter servidor centralizado dá larga vantagem ao Kazaa em relação, por exemplo, ao Napster, o software caçado anteriormente, num caso que representou, em 2001, um divisor de águas tanto para a indústria do disco quanto para os fãs de MP3. O Napster dependia de um banco de dados para listar todas as músicas disponíveis para download e as máquinas que as compartilhavam. A rede de usuários construída em torno do software desagregou-se quando a justiça obrigou o Napster a fechar seu servidor central, fazendo desaparecer com ele a conexão com os usuários.
Foi só uma questão de tempo até que novos programas, como o Kazaa, se popularizassem, valendo-se do trecho da lei de direitos autorais norte-americana que concede permissão para que se compartilhe música entre amigos. E até, prova em contrário, na rede são todos amigos.
- Do meu ponto de vista, eu estou trocando músicas com um amigo distante. Se for pirataria, que seja... É o preço que vão pagar enquanto o CD continuar caro desse jeito - diz o ator e músico Eduardo Caldas, 19 anos. Ele pega entre 12 e 14 arquivos de MP3 na web a cada vez que utiliza um software para baixar músicas, o que faz quase diariamente.