Atualmente morando sozinho na Lagoa, Camelo passou pelas bandas de garagem Drive By, Barnabé e Minanina's Popcorn antes de fundar o Los Hermanos com os amigos do curso de Comunicação da PUC. Kassin, produtor de
Ventura, lembra ter conhecido o rapaz há quase uma década, quando o cantor foi entrevistá-lo. Camelo escrevia num fanzine de música e Kassin tocava no grupo Acabou La Tequila, uma das maiores influências dos
hermanos.
- Desde que ouvi a primeira demo do grupo achei sensacional. E, com o tempo, o Marcelo ficou mais fluente, produtivo, passando a dominar a arte de compor. Suas canções têm vínculo com a MPB tradicional e, por isso, muitos acreditam que nasceu o novo Chico Buarque - diz o baixista Kassin.
O parceiro Rodrigo Amarante define o amigo:
- Marcelo é introspectivo, muito disciplinado. Ele senta com papel, caneta, violão e transforma as coisas do coração em algo concreto, em música. Já eu tenho vários fragmentos de letras e melodias que nunca termino. Marcelo se dedica ao trabalho, é responsável e consegue transformar isso em arte.
A intuição de pôr a MPB em moldura rock chamou a atenção do crítico Tárik de Souza, do Jornal do Brasil:
- Marcelo tem a essência da música brasileira e mostra isso dentro de uma banda de rock. Já no primeiro disco havia referências a Lamartine Babo. A MPB está numa espécie de gueto. Artistas como Guinga ficam num mundo bastante restrito. Djavan e João Bosco foram talvez os últimos compositores sofisticados a terem suas músicas cantadas pelo grande público. As canções de Camelo trazem a tradição dentro do idioma da sua geração. Elas são muito elaboradas, buriladas e parecem simples ao mesmo tempo, o que caracteriza o grande autor.
Apesar disso, Camelo nunca gravou qualquer canção no violão. Será inevitável, com o tempo, a adoção total ao instrumento?
- Não tenho a menor idéia. O futuro a Deus pertence - diz Camelo, que se apresenta com sua banda no Museu de Arte Moderna do Rio no dia 30, dentro do TIM Festival.
O filme Castanho, com a trilha sonora original do Los Hermanos, será exibido amanhã, às 21h30, no Estação Botafogo 1, no Festival do Rio.