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O rock de bem com o Brasil

Ideal das novas bandas já não é cantar em inglês mas captar ritmos nacionais

Cecilia Barboza

André Nervoso Paixão / Foto de Divulgação

Ultimamente, ser brasileiro pega tão bem no meio musical que gringos como a dupla francesa Joyce Hozé e Thomas Naïm se disfarçam de Tom & Joyce para passar por produto verde-amarelo. Mas houve um tempo em que pegava mal. Se uma novíssima leva de artistas brasileiros - a exemplo do grupo carioca Los Hermanos -, como Wado e André Nervoso Paixão, faz fama assumindo influências que vão de Chico Buarque a Clube da Esquina, o rock nem sempre esteve tão à vontade mesclado ao samba e à MPB. Yes, nós não tínhamos bananas: do final dos anos 80 a meados de 90, uma penca de bandas de diversos pontos do país fez boa música sem dar pinta de que eram brasileiras. Bandas como Killing (SP), Second Come, Dash e Pelvs (RJ), Brincando de Deus (BA), Dead Poets (CE), Sleepwalkers (SC) e Low Dream (DF) não só dispensavam a ''mistureba'' como também a língua portuguesa.

Dois marcos dessa fase curiosa do rock nacional estão fazendo aniversário: os discos Killing Chainsaw (Cri Du Chat), do grupo homônimo, e You, do Second Come (Rock It!, selo do ex-Legião Urbana Dado Villa-Lobos). Lançados no início da década passada, são registros da crise de identidade que tomou o estilo naquela época.

Cantando em inglês e sem resquício de baticum, alguns chegaram a arrancar elogios do DJ John Peel, autoridade da rádio BBC de Londres, e de semanários de música europeus. Outros receberam propostas de gravadoras para gravar em português, mantendo sua sonoridade: Marcelo Colares, do Cigarettes (RJ), foi sondado mas não aceitou a sugestão. Já as meninas do Penélope (BA), que em 1995 tinham uma demo-tape em inglês, fizeram bem a transição e até gravaram Namorinho de portão, de Tom Zé, em seu primeiro disco.


[23/SET/2003]


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