Segundo maior mercado para drogas facilitadoras da ereção, Brasil cria geração de idosos mais ativos no sexo e na vida
BRASÍLIA -
O nome técnico é disfunção erétil e a estimativa é de que o mal, que o humor nacional diz atingir o brasileiro sempre ''pela primeira vez'', atormente 150 milhões no mundo e 11 milhões no país. A descoberta de drogas de ingestão oral, de preço relativamente acessível e prescrição quase generalizada está mudando não apenas a participação do sexo, em intensidade e qualidade, na vida de mais de uma geração. Está criando uma revolução masculina, comparada por especialistas ao advento da pílula anti-concepcional para a liberação da mulher e da prática sexual no século passado.
O Brasil só perde para os Estados Unidos entre 120 países onde é comercializado o Viagra, do laboratório Pfizer. Descoberto há cinco anos, o pioneiro já conta aqui com 250 mil consumidores por mês. O crescimento do mercado brasileiro é tão vertiginoso, que o Cialis, droga do laboratório Eli Lilly, que promete atuação mais imediata e duradoura que o Viagra, foi lançado há três meses e já conquistou quase 30% das vendas.
No campo estritamente médico, as restrições são poucas. Viagra mata? Já matou e as mortes foram notícia, mas os testes mostram pouco risco. Para Moacir Costa, especializado em Sexualidade pela Universidade de Cornell, de Nova York, a única contra-indicação realmente impeditiva é dos cardíacos que tomam medicamentos a base de nitrato.
- O Viagra está sendo usado no Hospital das Clínicas até para aumento da capacidade pulmonar em crianças. Os cardíacos, desde que possam substituir o nitrato, podem usar. Eu tenho 20 pacientes hipertensivos que estão utilizando sem apresentar problema algum.
O Pfizer calcula, a partir de auditorias internacionais, que mais de 20 milhões de homens em todo o mundo utilizem o seu produto, prescrito por cerca de 600 mil médicos e testado em 130 estudos clínicos envolvendo 13 mil homens.
O Lilly, que afirma ter realizado 90 estudos com cerca de 8 mil pacientes, acaba de realizar pesquisa, em parceria com o Projeto Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, sob a coordenação da professora Carmita Abdo. Segundo a psiquiatra, que investigou as doenças que mais se relacionam com a disfunção erétil, também foram importantes as conclusões sobre o comportamento sexual do brasileiro, medido em mais de 7 mil entrevistas.
- A média de relações sexuais fica em três por semana, número alto para os que apresentam dificuldades, pois as frustrações nessa área acarretam perda da auto-estima e podem precipitar um processo depressivo que acaba tendo conseqüências na produtividade do trabalho, no lazer, no relacionamento com a parceira e com os filhos.
Cerca de 96% dos homens e mulheres pesquisados afirmaram que sexo é ''geralmente importante'' ou ''importantíssimo'' para a harmonia do casal e nada menos que 79,8% dos homens consideram sexo tão importante quanto ter fonte de renda segura ou respirar. Apesar disto, só 10% dos homens com dificuldades procuram ajuda médica. A maioria não tem consciência alguma de que deve mudar hábitos ou tratar doenças diretamente relacionados com o problema sexual - 65% tinham vida sedentária e comiam mais que o necessário e apenas 8,1% se tratavam de diabetes e cardiopatias, dois dos fatores causadores ou agravantes da disfunção erétil.