Criticado pela acidez de suas opiniões, Diogo Mainardi, controvertido colunista da revista 'Veja', desponta como {i}enfant terrible{/i} da imprensa brasileira
Qualquer pessoa que cruze com o paulista Diogo Mainardi, 40 anos, caminhando pelas ruas de Ipanema, terá dificuldade de associar aquele homem de feições serenas à imagem de olhar aquilino e semblante inquisidor da fotografia que ilustra suas colunas semanais na revista
Veja, desde 1998. De fato, no primeiro encontro com o autor de quatro romances elogiados pela crítica -
Malthus, vencedor do prêmio Jabuti de 1990,
Arquipélago,
Polígono das secas e
Contra o Brasil -, que atualmente prefere se definir como jornalista, a visão do grande
enfant terrible da imprensa nacional hoje logo se arrefece.
Bater um primeiro papo com Diogo envolve uma acolhida inicial sem veneno destilado. Em lugar de atacar este ou aquele problema do Brasil, conforme faz em seus artigos, ele prefere destacar a beleza do Rio, onde reside provisoriamente para acompanhar o tratamento de seu filho, vítima de paralisia cerebral. Esse encanto, aliás, vem do fato de ele morar há 14 anos em Veneza. Mas bastam poucas palavras trocadas para que sua verve ferina venha à tona, em assuntos como sua experiência como roteirista, trabalhando com o irmão mais velho, o diretor Vinícius Mainardi, nos filmes Dezesseis zero sessenta (1995) e Mater Dei (2001), ou discutindo literatura. Nesta entrevista ao Jornal do Brasil, Mainardi procura desmistificar um pouco a imagem do crítico ranzinza, comentando suas influências literárias e discutindo a identidade cultural do brasileiro.
- Qual é o estilo Diogo Mainardi de ver o Brasil?
- Tenho um olho cândido, distante. Olho meu país sem preconceito, mas com graça, por achá-lo preciso. Não tenho objetivos precisos. Vejo o mundo de um jeito. Boto esse jeito no papel e me pagam para fazer isso. Não sou resmungão, mas penso que sou um desastre nacional. Tenho todas as piores qualidades de meu povo e poucas de suas virtudes.
- Mas não há um quê de pessimismo em sua interpretação do país?
- Não é pessimismo. O Brasil não vai melhorar, nem piorar. Vai continuar a ser uma grande porcaria. Somos fracos nessa coisa de país. Não é a nossa construir uma nação organizada.
-A identidade cultural é um tema recorrente em sua coluna na revista Veja. Como definiria nossa identidade nestes tempos de Gilberto Gil no ministério da Cultura?
- Não acredito que tenha modificação nenhuma. Tenho absoluto asco de políticos. Eles são todos iguais, independentemente de partido. É uma gentalha que não me fascina. É gente que deve ser apedrejada. Acho que neste momento de um governo particularmente demagógico e populista, uma identidade ''popular'' está mais em evidência. Ajuda, inclusive, a manipulação do governo em relação à população.