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Aberto processo por racismo no Orkut
Ministério Público denuncia estudante que usava o site para atacar negros e criticar sistema de cotas no vestibular
Lorenna Rodrigues
Quem considera a internet território livre deve pensar duas vezes. O Ministério Público ofereceu ontem ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal denúncia contra o estudante Marcelo Valle Silveira Mello, acusado de praticar crime de racismo no Orkut, um site de relacionamentos.
Nos meses de junho e julho deste ano, Marcelo escreveu comentários racistas em uma comunidade - espécie de fórum de discussão - intitulada Universidade de Brasília. O estudante de letras questiona o sistema de cotas da UnB, e diz que o sistema está ''colocando analfabetos para destruir o conceito de universidade'' ou que ''se operar o joelho com um médico negro que se formou na UnB, manda amputar a perna direto''. Acusado de racismo por outros integrantes da comunidade, Marcelo passa a deixar mensagens ameaçadoras: ''Preto tem que morrer mesmo, eu não tenho culpa se nasci em uma família rica, agora estudar a vida inteira para ficar de fora da facupor causa de um pretinho (...) essas horas dá vontade de pegar uma arma e sair matando todo preto desse país miserável''. O caso chegou ao MP depois de denúncia de um grupo de estudantes da universidade. Ameaçado de morte através do Orkut, o estudante de pedagogia Rafael Ayan foi agredido fisicamente por Marcelo no início do mês de agosto. - Nós nos encontramos na UnB e ele tentou me bater. Registrei ocorrência na polícia, mas não tenho medo de que isso volte a acontecer. Espero que o Marcelo seja punido por racismo, mas não quero que ele vá para a prisão, onde seu ódio contra os negros só irá aumentar. Ele deve pegar penas alternativas, prestar serviços comunitários na periferia para conhecer a realidade do país que mora - afirmou. Marcelo não foi encontrado para comentar o assunto. Para oferecer a denúncia, o MP se baseou no artigo 20 da Lei 7.716/89, que prevê que crime ''praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. ''. O estudante pode ser condenado a pena de até três anos.
[16/SET/2005]
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