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No bastidor, o elo da comunicação

Tradutores e intérpretes atuam no anonimato para que pessoas de línguas diferentes possam dialogar e se entender

Eles são o elo de comunicação entre pessoas de línguas diferentes. Participam de conferências, fóruns mundiais, seminários com a ONU e até reuniões sigilosas que, às vezes, definem o rumo de um país. Inúmeras são as ocasiões que exigem a presença de um profissional bilíngue para fazer a tradução oral ou escrita dos discursos apresentados. Então, entra em ação a figura dos tradutores e intérpretes profissionais, que, na maioria das vezes, ficam trancafiados em uma ''central'', com um aparelho que traz o som do conferencista e leva a tradução do intérprete para os receptores.

No entanto, para atuar nessa área basta apenas dominar o idioma. A profissão não é regulamentada e sequer existem conselhos que garantam os direitos da classe, o que também reflete na remuneração, dependendo bastante da atividade da pessoa exercida com competência e do patrão que paga o salário. Entre os grandes patrões está o Senado Federal, a Câmara Legislativa, os tribunais superiores, as embaixadas e os bancos.

- Acredito que testada a eficiência e o nível do profissional, o tradutor e o intérprete podem ser das atividades mais bem remuneradas - afirma Ewandro Magalhães, diretor executivo da Agência de Tradução Die Press.

Mas, para quem tem conhecimento de línguas estrangeiras e sabe transformá-las em algo compreensível para a população, existem boas instituições que possibilitam muito treinamento e contato com o mercado de trabalho. As de ensino superior também aprofundam conhecimentos lingüísticos e culturais. No entanto, aqueles que optam por cursos mais diretos, com uma vivência mais prática da carreira, terão como pré-requisitos uma vasta cultura geral. Este é o caso de Juliette Gaasenbeek, holandesa moradora há sete anos no Brasil. Além de dar aulas de inglês, ela atua como tradutora bilíngue português-inglês. Sua experiência socio-lingüística vem dos anos que morou na França, Inglaterra e Alemanha.

- É um mercado promissor. No início é comum o intérprete achar que todo mundo vai para o evento para julgar o seu trabalho. Ninguém está lá para isso. Quem ouve é quem precisa da tradução para compreender a palestra, então torce para que ele seja muito bom - conta.

Para Ewandro Magalhães, o fato das escolas oferecerem formação acadêmica na área ganharem espaço tem diminuído o número de pessoas que, apenas por dominarem uma segunda língua, se arriscam na profissão. Para ele, essa flexibilidade na formação dos profissionais de tradução dá espaço para a revelação de talentos.

- Era um mercado muito fechado e cheio de aventureiros. Queriam fazer tradução até arrumar um trabalho melhor. Hoje, as exportações e importações cresceram e muitos profissionais gabaritado têm conseguido o seu espaço. Mas é um mito achar que para ser tradutor ou intérprete não precisa ter o conhecimento lingüístico. A maior parte das técnicas aplicadas na tradução são comportamentos que podem ser desenvolvidos, são habilidades treináveis. Mas, é claro que ter o dom da tradução também é fundamental - salienta.

Serviço

Agência de Tradução Die Press (www.diepress.com.br). SIA Trecho 3/4, N° 335, 2° Andar. Tel.: 361-0948. Oferece workshop, treinamento e estágio para intérpretes.

Universidade de Brasília (UnB): curso superior em tradução (www.unb.br).


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[20/DEZ/2004]


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