Licitação exigirá do projeto um estudo de viabilidade, um projeto de engenharia e o melhor modelo de concessão à obra
Tours (França) - Os governadores Joaquim Roriz (DF) e Marconi Perillo (GO) anunciaram ontem que, em 30 dias, será publicado o edital para abertura de uma concorrência internacional do projeto de construção do trem de velocidade alta para ligar Brasília a Goiânia. E para deixar claro que o Expresso Pequi será mesmo construído, os dois governadores também revelaram que pretendem investir, nos próximos três anos de seus mandatos, R$ 1 bilhão em recursos próprios do DF e de Goiás na obra, dos quais 70% a cargo do Distrito Federal.
- Não há mais razão para esperar. Como JK quando resolveu mudar a capital para o Planalto Central, o importante é a decisão política. E ela está tomada: vamos fazer essa obra - justificou Roriz, ao discursar durante almoço no castelo Domaine de Beauvois, em seu sexto dia de viagem à Europa.
A licitação exigirá do projeto um estudo de viabilidade, um projeto de engenharia e a melhor modelagem da concessão para exploração da futura linha de passageiros e de cargas. Já no dia 10 próximo, um dos mais fortes concorrentes no quesito de fornecimento de trens e locomotivas (o chamado material rodante) desembarca em Brasília. A equipe da francesa Alston levará engenheiros e topógrafos, confirmou o diretor-executivo para a América do Sul, o brasileiro Carlos Alberto Almeida.
Para financiar o projeto, além dos recursos oriundos dos cofres do DF e de Goiás, Marconi Perillo listou uma série de alternativas que, na visão dos governadores, podem garantir o dinheiro necessário para o investimento que, ao longo de quase cinco anos, deverá consumir cerca de US$ 800 milhões.
- A engenharia financeira começa pela busca do apoio decisivo do governo federal ao projeto, no que acreditamos ser a presença do Juquinha [José Francisco das Neves, presidente da Valec, estatal federal de transportes]um sinal positivo. Vamos, com as bancadas federais, buscar recursos no Orçamento da União, junto ao BNDES e por meio das parcerias públicas-privadas (PPPs), que o Congresso deve aprovar ainda neste semestre. E investiremos também verbas da futura Agência de Desenvolvimento do Centro-Oeste, do Fundo Constitucional do Centro-Oeste, de nossos repasses da Cide (Contribuição sobre a Intervenção de Domínio Econômico) - detalhou o governador goiano.
Coube ao deputado federal José Roberto Arruda (PFL) a primazia de ler em voz alta o documento em que Roriz e Perillo comprometem-se publicamente a levar adiante o projeto, no que se pode apelidar de ''Protocolo de Tours''. Os três parágrafos manuscritos reiteram a convicção dos governadores na construção do Expresso Pequi, por representar elemento indissociável e essencial para o progresso econômico e social do eixo Brasília-Goiânia.
O documento informa também que, segundo tudo o que viram até aqui na Espanha e na França, Roriz e Perillo estão convencidos de que o trem de velocidade alta é técnica e economicamente viável. A opção por um trem capaz de viajar a 200 km/h, com uma ou duas paradas - possivelmente em Anápolis e na região de Alexânia-Abadiânia - obedece não apenas a critérios de demanda de passageiros, mas principalmente de política de desenvolvimento regional.
- Um transporte rápido e eficiente é uma necessidade da sociedade moderna. As paradas são essenciais para disseminar o desenvolvimento nas cidades no eixo Brasília-Goiânia. Daí decidirmos por um modelo de trem capaz de viajar a 200 km/h em média e reduzir e retomar velocidade em curto espaço. O trem vai consolidar a criação desse novo eixo de riqueza e crescimento - profetizou Joaquim Roriz.
Os dois governantes têm pressa em cumprir a promessa solene feita em Tours. Segundo Perillo, tão logo seja aprovado o projeto vencedor da concorrência, os governos do DF e de Goiás pretendem lançar a licitação internacional e, em seguida, iniciar as obras do novo sistema de transporte. Na melhor das hipóteses, porém, a previsão é de as obras se iniciem no princípio do próximo ano, já que os prazos para que cumpram todas as etapas demandam muito tempo.