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Brasil, um país de idosos
População brasileira com mais de 70 anos já é de 7,7 milhões e pode chegar a 34,3 milhões em 2050, segundo o IBGE
Juliana Rocha
O Brasil ainda está longe de alcançar o nível de países desenvolvidos nos indicadores sociais, como a erradicação da mortalidade infantil e do analfabetismo, mas já está próximo quando o quesito é o envelhecimento da população. Além do imbróglio do déficit da Previdência Social, que ultrapassa R$ 38 bilhões, o governo enfrenta um crescimento vertiginoso do número de idosos. Hoje, são 7,7 milhões os brasileiros com 70 anos ou mais. Em 2050, serão 34,3 milhões. Os dados estão na Síntese de indicadores sociais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2004.
Em 2050, o número de homens e mulheres com mais de 80 anos poderá superar o de jovens de 20 a 24 anos e até o de crianças abaixo de 14 anos. Uma proporção parecida com a da França no ano passado. O país europeu convive com a crise da previdência e da falta de empregos para jovens. O Brasil já ocupa o oitavo lugar no mundo com mais idosos, à frente da Itália e da França. A comparação foi feita sobre os dados da ONU do ano passado. Na opinião de Istvan Kazsnar, economista da Fundação Getúlio Vargas, o aumento da população idosa é boa notícia, apesar do déficit da previdência no Brasil. Alerta, porém, que o tempo para fazer a reforma previdenciária eficaz a longo prazo está se esgotando. – Com políticas de saúde e educação, o Brasil conseguiu gerar um clima mais confortável. A população vive mais e melhor. Mas é preciso que o Legislativo vote a reforma, levando em conta aumento da expectativa de vida. O presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, aponta que os dados servirão aos formuladores de políticas públicas, para que evitem as dificuldades dos países desenvolvidos em torno da previdência social e do desemprego. Aos 76 anos, Augusto Gonçalos do Amaral está aposentado há 20 anos mas diz que a pensão do governo é insuficiente para manter a casa. A mulher, Ana Maria, de 74 anos, ajuda no orçamento vendendo cosméticos. Augusto lamenta não poder mais trabalhar. – Estou velho. Não consigo voltar a trabalhar. E vivo mal com a aposentadoria – conta, no intervalo do carteado com os amigos, em uma praça no Rio. Ana Maria faz parte das estatísticas como uma entre os 30% de idosos brasileiros que ainda têm uma ocupação. A maioria mantém a atividade, mesmo depois de aposentado, por questões financeiras. Outros fazem do trabalho uma terapia ocupacional. O Rio é o estado com menor percentual de idosos trabalhando, apenas 18%. No Piauí, chegam a 51%. O IBGE mostrou, ainda, que muitos dos idosos brasileiros vivem sozinhos. Do total de domicílios com apenas uma pessoa, 40% tem 60 anos ou mais.
[13/ABR/2006]
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