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Reação divide petistas


BRASÍLIA - Mais uma vez o PT sai dividido na hora de estabelecer uma estratégia única para se defender. Ontem, um dia depois de o relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-RS), apresentar as conclusões sobre investigações da comissão, o PT mostrou o racha. Um grupo não aceita a íntegra do relatório, deseja fugir do regimento e apresentar um documento paralelo, e outro quer só modificar alguns pontos do relatório Serraglio.

A divisão dentro do partido pode prejudicar ainda mais o governo, caso não haja consenso. Ontem à tarde, o líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS), declarou que a bancada não concorda com a tese de que houve mensalão e defendeu um critério mais objetivo para os casos de pedido de indiciamentos.

– São tantas coisas a corrigir e precisar, que não podemos transformar tudo isso em emendas. Seria uma votação interminável. Queremos um relatório mais equilibrado, que trate de todos os temas – afirmou.

Fontana não integra a comissão, mas tem apoio de outros deputados que compõem a CPI. O também petista e presidente da CPI dos Correios, Delcídio Amaral (MS), confirmou que é grande a divisão do partido quanto ao posicionamento diante do relatório. Particularmente, o senador critica a vontade da bancada de deputados que quer apresentar um novo relatório. Para Delcídio, a atitude pode ser uma bomba-relógio a estourar no colo do partido e do governo.

– Um relatório paralelo, que não é permitido pelo regimento, é um tiro no pé. É ruim para o PT e para o presidente Lula – disse.

Um novo relatório poderia emperrar a votação do parecer, resultando no término da CPI sem aprovação de um documento final. Para Delcídio, um desfecho como esse pesaria como chumbo nas costas do governo.

– Uma CPI que termina sem relatório repercute mal. Depois de tudo que aconteceu, não podemos deixar de mostrar o que foi feito – disse, ao lamentar uma suposta insistência da bancada.

Na tarde de ontem, o senador chamou o deputado Carlos Abicalil (MT), na tentativa de articular uma nova estratégia. Abicalil disse que o partido vai debater ainda mais a estratégia.


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[31/MAR/2006]


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