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Relatório provoca confronto
Delcídio Amaral faz críticas a Osmar Serraglio e diz que mensalão não configura compra de consciências
Renata Moura
BRASÍLIA -
O relatório final de quase 3 mil páginas apresentado na quarta-feira pelo deputado Osmar Serraglio (PMDB-RS) na CPI dos Correios colocou em campos opostos o relator e o presidente da comissão, Delcídio Amaral (PT-MS). Delcídio afirmou ontem que o relatório só vai sobreviver se as falhas forem corrigidas. As críticas, de acordo com a maioria da base governista, se concentram em dois pontos que compõem a essência do relatório.
Um delas é a definição de que o mensalão existiu como uma prática de compra da consciência dos parlamentares para votar com o governo. A segunda crítica seria em relação ao número de indiciamentos e a como foram como foram feitos. Para os governistas, faltou critério. Serraglio enumerou corruptores ativos, mas não se manifestou sobre os corrompidos. – Em alguns aspectos, falta critério técnico-jurídico para a caracterização dos eventos. Não vejo prova consistente daquilo que se chama de mensalão. Se houvesse esse tipo de prova, teríamos a indicação de quem recebeu. Não há provas, porque não houve nenhum evento dessa natureza - disse o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). O presidente da CPI afirmou, ontem, que há um entendimento entre todos os partidos de que o mensalão é o resultado do somatório do caixa dois de campanha com um adicional, um espécie de “agrado” repassado aos parlamentares aliados. – A compra de consciência dos parlamentares para votarem com o governo não me parece uma definição ideal para essa prática. E isto é um entendimento de todos da comissão - afirmou Delcídio. Ontem, o senador tentava definir com os integrantes da comissão como conduzirá a votação do relatório de Serraglio na próxima terça-feira. Segundo ele, a idéia é que os parlamentares apresentem votos em separado, com os devidos destaques que serviriam para “aperfeiçoar” o trabalho final. – Todo texto tem ajustes, ainda mais um relatório como este de 2 mil e 800 páginas. Não é possível que não haja nada que não possa ser melhorado - disse. Os governistas vão tentar modificar vários tópicos do relatório. Além de derrubar a tese do mensalão, querem que sejam retirados alguns pedidos de indiciamento, como o do ex-deputado José Dirceu. Alegam que o pedido é precipitado e indevido, já que faltam provas da existência do mensalão. Também vão questionar a “falta de isenção do relator”. Segundo o deputado Carlos Abicalil (PT-MT), o relatório está difuso na temporalidade e perdeu a equivalência no tratamento entre os partidos. – Citou PP, PT, PL e PTB, mas esqueceu de citar o partido dele, o PMDB - disse ao se referir ao deputado José Borba (PMDB-PR), identificado como um dos beneficiários do valerioduto. Outro ponto é a questão do indiciamento do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) apenas por crime eleitoral. Acham que o senador deveria responder também por sonegação fiscal, já que não prestou contas do empréstimo feito junto às empresas de Marcos Valério. Enquanto governistas reclamavam, a oposição ontem parecia satisfeita com o resultado final das investigações. Foram poucos os questionamentos a respeito do texto de Serraglio. Entre os votos em separado que serão apresentados pela oposição deve constar o pedido de indiciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por crime eleitoral e improbidade administrativa.
[31/MAR/2006]
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