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Em busca da reeleição, Lula vai investir R$ 20 bilhões
Hugo Marques
BRASÍLIA -
Uma das principais estratégias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar a reeleição no ano que vem é o aumento dos investimentos. Petistas com livre trânsito no Palácio do Planalto falam que o governo poderá dobrar os recursos a serem aplicados em 2006, se comparados com o montante de 2005.
O senador Tião Viana (PT-AC) diz que o governo deve atingir R$ 20 bilhões em investimentos no ano que vem. O governo federal empenhou até o dia último dia 17 um total de R$ 8,5 bilhões em investimentos, onde não se inclui restos a pagar e estatais. Se cumprir a meta, o governo superaria o total que investiu nos dois primeiros anos, R$ 19,5 bilhões, valores atualizados pelo gabinete do deputado distrital Augusto Carvalho (PPS). – Eu tenho ouvido o próprio ministro Antonio Palocci dizer que o ano que vem será bem melhor. Em 2006, o governo tem condições de oxigenar os investimentos –admite Tião Viana. Para o senador, o governo foi “duríssimo” até agora para não deixar o país entrar em “aventuras fáceis”. Viana não teme que o aumento dos investimentos no último ano do governo Lula seja confundido com a abertura das torneiras por ser ano eleitoral. – O governo criou base para o investimento sustentado – acredita Viana. O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), também aposta que o governo possa atingir os R$ 20 bilhões em investimentos no ano que vem, se conseguir manter a trajetória de queda dos juros. Para ele, o aumento dos investimentos é reflexo natural da política adotada pelo governo, com austeridade fiscal e controle da inflação. – Ampliar gastos no começo de 2006 é tão responsável quanto foi segurar no início de 2005, quando a inflação ameaçava passar de 7 a 8%. Não tem nada a ver com eleição, tem a ver com realidade – avalia Berzoini. O país vive uma “maturação da política econômica”, diz o presidente do PT. A inflação está numa trajetória descendente, afirma, e não há razão para o governo “manter o freio de mão puxado” em 2.006. Ele acha “natural” a disputa interna entre a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que deseja acelerar o desenvolvimento e o ministro Palocci, que prega controle rígido. – A divergência mais forte é conjuntural e não estrutural – garante Berzoini. A senadora Ideli Salvati (PT-SC), avisa que o aumento dos investimentos para o ano que vem “está dentro da lógica que o governo montou” na área econômica. – A lógica é ampliar no quarto ano. Não é nada de novo. É a estratégia do governo, que vem se consolidando – revela a senadora. Atenta às investidas da oposição, Ideli Salvati está preocupada com o possível adiamento da votação do orçamento do ano que vem até o fim de dezembro. Em último caso, a estratégia do governo é empenhar recursos do orçamento atual para liberar nos chamados restos a pagar, no ano que vem. – A questão de ter ou não orçamento votado até o fim de dezembro é ingrediente poderoso para sabermos se poderemos fazer maior ou menor execução orçamentária – afirma Ideli. No ano passado, lembra a senadora, o orçamento foi votado dia 30 de dezembro, a publicação foi feita em janeiro e os primeiros empenhos orçamentários começaram em maio. Se o mesmo acontecesse com o próximo orçamento, o governo teria pouca margem para gastar, pois a legislação restringe os empenhos em período eleitoral. Os senadores petistas estão preocupados com eventuais manobras da oposição para retardar a votação do orçamento e atrapalhar os investimentos. O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), é prudente quando o assunto é aumento de investimentos. O governo não vai abrir mão de uma política econômica responsável, avisa o líder do governo. Para ele, não está em discussão o afrouxamento da responsabilidade fiscal por ser ano eleitoral, o que poderia comprometer o início do próximo governo. Mercadante, no entanto, vê margem para aumento do investimento. – Seguramente, com a queda da inflação e a melhora no nível de atividades, você tem mais capacidade de investimento daqui para o próximo ano – afirma Mercadante. Além da aprovação do orçamento no Congresso, o governo vai tentar viabilizar as parcerias público-privadas (PPP), como forma de aumentar os investimentos.
[21/NOV/2005]
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