Cadeia deixou Maluf deprimido

Médico sente-se ofendido ao ser perguntado se ex-prefeito não estaria fingindo e diz que paciente chora muito

[22/OUT/2005]

SÃO PAULO - Um dia depois de sair da cadeia por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf passou ontem por uma bateria de exames no Hospital Sírio Libanês. Segundo seu médico, Sérgio Nahas, o estado depressivo do ex-prefeito é preocupante, mas os exames não detectaram nada além do quadro clínico que ele já apresentava.

Nahas, que é gastrologista, divulgou que Maluf está com dificuldade de raciocínio, tem dito frases sem nexo e chorado muito, além de estar com dificuldade de se comunicar até com pessoas próximas. O médico sugeriu tratamento psiquiátrico para o ex-prefeito, que já está tomando anti-depressivos.

- Ele não se encontra bem. Está intranqüilo, insatisfeito, muito magoado. Conversa, chora e fala coisas, às vezes, sem nexo - disse o médico.

Perguntado se a atitude do ex-prefeito não seria uma estratégia de vitimização de Maluf ou fingimento para atenuar os ânimos contra ele, Nahas afirmou:

- Levar por esse lado é fazer mal juízo de mim também. Eu parto do princípio que aquilo que faço tem bases fundamentadas em 30 anos de trabalho.

Maluf saiu de casa andando, mas entrou de cadeira de rodas ao Hospital, acompanhado da mulher Sílvia, de assessores e escoltado por seguranças.

O início dos exames foi às 10h30. Ele deixou o local às 17h. O Sírio Libanês fica no Centro de São Paulo e é considerado um dos melhores hospitais da cidade.

Na pota do Hospital, antes de sair do carro, um Santana azul, Maluf pediu que Sylvia viesse buscá-lo dentro do carro.

- Ele precisa de cuidados médicos e chegou a ser atendido por psiquiatras na Polícia Federal. Ele não está bem. Não é só doença orgânica, ele tem uma doença de comportamento. Mas não compete a mim julgar, estou apenas observando o que aconteceu - disse o médico.

Na opinião de Nahas, o comportamento de Maluf foi gerado pelo trauma de passar 40 dias na carceragem da Polícia Federal de São Paulo. Para ele, a perturbação psicológica agravou o estado físico do ex-prefeito.

- Ele é um homem de 74 anos, é um paciente cardiopata, coronariopata, hipertenso, já teve um infarto, problema de próstata, hérnia de hiato, uma gastrite, e ainda foi exposto a esse estresse - disse.

Um dos argumentos dos advogados de Maluf quando pediram a prisão domiciliar era de que o ex-prefeito estava com problemas de saúde.

Por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-prefeito e seu filho Flávio foram soltos ontem.

No primeiro dia de liberdade, Maluf acordou por volta de 7h15 e tomou café da manhã com sua mulher, Sylvia.

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