|
Os diálogo entre os assessores
[21/OUT/2005]
Trechos dos diálogos entre Paulo dos Santos Freire e Maria das Dores Siqueira da Silva, a Dóris. Paulo trabalhou no gabinete do senador Geraldo Mesquita (PSol-AC) junto com Dóris. Depois de sair do gabinete, Paulo começou a pedir que o senador o devolvesse o dinheiro que cobrava mensalmente.
Primeiro diálogo
Paulo – Dóris, estive fazendo as contas e quase todo mês era descontado R$ 410 do meu salário. É complicado...
Dóris – É Paulo. O que você tem que levar em consideração é que você fez um acordo. Então, aconselho a gente ver isso de uma outra maneira, porque se você cobrar isso do senador, acho que o resultado não vai ser bom. (...) Ele vai pensar que você não é uma pessoa séria. Porque você aceitou o acordo. Ele vai pensar que você está agindo de má-fé. Vou conversar com ele de uma maneira que as coisas não pareçam desse jeito. Tá entendendo?
Paulo – Tô entendendo, só que a situação é complicada. R$ 5 mil foi tirado do meu salário. Realmente, é muito dinheiro.
Dóris – Vou fazer o que puder e não vou lhe enganar em nada.
Paulo – Ah, tá bom então. Vê se ele pode devolver uma parte desse dinheiro, que estou realmente precisando muito.
Dóris – Tá certo, Paulo.
Paulo – E aí. Tu tá daquele mesmo jeito ainda no escritório?
Dóris – Tô sozinha ainda. Agora as coisas se complicaram mais.
Paulo – Ainda continua tirando do teu salário para pagar as coisas?
Dóris – É, daquele mesmo jeito...
Paulo – Meu Deus do céu.
Dóris – É muito complicado. Sobre tua situação, vou sentar com ele para ter uma conversa séria. Por isso quero que você aguarde, que vou te ligar. Vou fazer o que puder para lhe ajudar.
Paulo – Pois é, quando eu tava aí, ficava um pedaço pra ti, né? Tu continua pagando aluguel, conta telefônica, tudo ainda?
Dóris – É, a mesma situação.
Paulo – Dá mais ou menos quanto por mês, desse seu salário?
Dóris – O meu tá três e pouco, né? O salário aumentou, as despesas não, é só aquilo mesmo.
Paulo – Em torno de R$ 1 mil, né?
Dóris – É.
Paulo – Na segunda-feira eu ligo pra ti com a posição do senador.
Segundo Diálogo
Paulo – Pois é, realmente vou ter que falar com ele porque tô precisando muito desse dinheiro. Não tô fazendo chantagem não. Esse é o meu direito, só.
Dóris – Mas, você entrou aqui com o compromisso de ganhar R$ 600. Você ganhou... Em janeiro eu lhe dei o dinheiro todinho. Eu devolvi do meu, do gabinete, você sabe disso. E quantas vezes eu deixei: ‘não, Paulo, não precisa não’. Eu sendo legal contigo, quando na verdade você tá é fazendo chantagem comigo.
Paulo – Isso não é chantagem. Você teve tempo de falar com o senador. Quero saber do que eu deixei para o escritório. De qualquer forma, vou tentar entrar em contato com o senador. Você não vai me dar o número, né?
Dóris – Eu te dou o número do telefone do filho dele.
Paulo – Não, ele tem telefone.
Dóris – Tem, mas não vou dar o número dele para um chantagista.
Paulo – Eu estou apenas exigindo meus direitos.
Dóris – Que direitos? Você entrou aqui com o direito de ganhar
R$ 600 por mês. Isso ganhou. Fui burra em confiar em ti, porque pensava que tu era sério
Paulo – Pois é, mas estou apenas reivindicando os meus direitos. Tenho a consciência tranquila, nunca fiz mal a ninguém.
Dóris – Não estou falando em fazer mal. Você está fazendo chantagem por uma coisa que não tem direito. Ainda fiquei pagando três meses de salário e você vem com chantagem novamente.
Paulo – Fico com a cabeça quente pela situação que estou passando.
Dóris – Pensei mil maneiras de te ajudar. Pensei em conversar com o senador sobre sua situação, mas nunca dizer para ele que você estava fazendo chantagem. Só que ele está em Fortaleza e não pude conversar com ele. Porque você sabe que aquele acordo não partiu de mim. A Norma é quem dava as ordens. Você sabe que o senador sabia de tudo. Você sabe que o senador por várias vezes me cobrou: ‘Dóris, e o dinheiro do mês passado?’. ‘Ah, senador, eu dei um dinheirinho para o Paulo, porque ele estava devendo’.
|