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Doleiro insiste em depor, mas CPI recua
Hugo Marques
BRASÍLIA -
O doleiro Antônio Claramunt - o Toninho da Barcelona - disse ao deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) que a abertura das contas de doleiros brasileiros no MTB Bank, nos Estados Unidos, ''pode derrubar o governo Lula e jogar lama sobre o governo de Fernando Henrique Cardoso''.
- Ele me disse que, se quebrarem as contas dos doleiros brasileiros no MTB Bank, derruba esse governo e enlameia o outro - confirma Pompeo. O deputado fez entrevista em separado com o Toninho da Barcelona, assim que integrantes da CPI dos Correios encerraram a conversa com doleiro, em reunião em São Paulo, na terça-feira. O presidente da CPI dos Correios, Delcídio Amaral (PT-MS), disse ontem, no entanto, que vai ''chamar a atenção'' dos integrantes da comissão que foram a São Paulo ouvir o depoimento de Toninho. Depois de ouvir denúncias sem provas do doleiro, condenado a 25 anos de prisão, membros da CPI defenderam a convocação do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ambos citados no depoimento. - Em função de uma conversa querem chamar um ministro? É uma insensatez isso que está sendo feito. Isso é bisonho, é bizarro. Daqui a pouco vão pedir para o Bush vir à CPI - rechaçou o petista.. Delcídio disse ontem que o depoimento de Toninho da Barcelona, em Brasília, dependerá do aval do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. - Qualquer tipo de depoimento dele passa pelo procurador-geral da República - disse Delcídio. O relator da comissão, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), concorda com um depoimento do doleiro à CPI, mas não considera necessário ouvi-lo imediatamente. - Acho que não é urgente inclusive para manter o foco. Ouvi-lo é ''auê'', não é manter o foco - respondeu a parlamentares da CPI que criticam a mudança no rumo das investigações. Segundo o deputado Pompeo de Mattos, o doleiro - interessado em reduzir sua pena de 25 anos em troca de informações para a CPI - revelou na terça-feira que alguns caciques dos governos Lula e Fernando Henrique utilizaram o canal do MTB Bank para enviar dinheiro ilegal para o exterior. Mas, ele não quis dar nomes, até que saia a negociação sobre sua redução de pena. O doleiro confirmou ser dono da off shore Monteiro - ''conta que funcionava dentro de outra grande conta do esquema de lavagem, a Lespan, movimentada via Uruguai''. Toninho afirmou ainda, segundo o parlamentar, que pode comprovar o que diz. Ele tem ainda uma ''contabilidade paralela'' que registrou nos últimos anos, com registros sobre o envio de dólares para o exterior, a pedido de políticos e empresários. Segundo Pompeo, o doleiro disse conhecer o suposto esquema pelo qual o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, enviava dinheiro para o exterior. Disse ainda que a Rolex é uma conta do esquema de lavagem de dinheiro muito importante para esclarecer o envolvimento de caciques da política nacional no negócio. Para Pompeo de Mattos, o doleiro só deve ser beneficiado com a redução da pena se as revelações que fizer à CPI ajudarem a colocar grandes criminosos atrás das grades, especialmente ligados a quadrilhas que lavam dinheiro no exterior. O deputado prefere acreditar que a reunião com o doleiro foi jogada política. - Foi uma armação do PFL e do PSDB para constranger. O PT caiu numa fria. É um jogo de cartas marcadas para fazer manchete - disse o parlamentar pedetista. Ontem, na pista de remessas ilegais para o exterior, ontem, a Polícia Internacional prendeu no aeroporto de Praga Hélio Laniado, considerado um dos maiores doleiros do país, que teria movimentado U$ 1,2 bilhão no esquema Banestado no exterior.
A Procuradoria da República considera que Laniado é mais ''poderos e influente'', pois movimenta mais recursos que Toninho Barcelona.
- A CPI dos Correios vai ter interesse em ouvi-lo porque ele tem informações sobre o mercado paralelo do dólar e os beneficiários de remessas para paraísos fiscais - afirmou o procurador Vladimir Aras.
Com agências
[18/AGO/2005]
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