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Governo investe cada vez menos
Em meio à crise, Lula libera apenas 4% do orçamento nos seis primeiros meses do ano. Ministérios estão quase paralisados
Sérgio Pardellas
BRASÍLIA -
A execução orçamentária da União até o início deste mês revela a inércia do governo Luiz Inácio Lula da Silva diante da mais profunda crise dos tempos recentes do país. Levantamento feito pelo Jornal do Brasil, junto ao Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), mostra que o ano projetado em janeiro pelo presidente Lula para ficar marcado como o ''das realizações e dos investimentos'', pelo menos, até agora, parece sucumbir às turbulências que tomaram conta da área política.
Dos R$ 22 bilhões em investimentos previstos no orçamento 2005, apenas R$ 886,8 milhões haviam sido gastos pelo governo até o final de julho - o equivalente a 4% do total. Os investimentos deixariam a desejar mesmo se fossem incluídos os chamados restos a pagar do exercício anterior desembolsados esse ano. Somariam apenas R$ 3,4 bilhões (15,4%). O valor é menor até do que o aplicado pelo governo durante o mesmo período de 2004. A esta altura, no ano passado, o governo já havia gasto R$ 1 bilhão. Incluindo as despesas com os restos a pagar, o montante também era maior em 2004: R$ 3,6 bilhões. O levantamento foi feito a pedido do JB pelo gabinete do deputado federal tucano, Eduardo Paes (PSDB-RJ). - Você tem uma combinação explosiva que contribui para a paralisação da máquina administrativa, qual seja, o autismo do presidente da República, a falta de coordenação na área política e um não governo - afirmou Eduardo Paes. O Ministério da Previdência Social, por exemplo, aplicou apenas R$ 392,9 mil dos R$ 136,4 milhões autorizados para investimentos. Foi o ministério que menos gastou. Nem 0,5%. Entre as pastas que menos investiram até o fim de julho também aparecem o Ministério da Educação - gastou R$ 42,7 milhões (5,6%) dos R$ 749,5 milhões em caixa -, o Ministério da Ciência e Tecnologia - aplicou R$ 36,1 milhões (5,5%) dos R$ 655 milhões disponíveis-, dos Transportes - gastou R$ 214 milhões dos R$ 3,6 bilhões autorizados pela área econômica para investimentos na pasta (5,5%). O Ministério da Integração Nacional aplicou R$ 42,3 milhões (4,4%) dos R$ 956,3 milhões previstos no orçamento. Já o Ministério do Meio Ambiente investiu R$ 1,5 milhão (3,7%) dos R$ 40,1 milhões e o Ministério da Saúde aplicou apenas R$ 80,6 milhões dos R$ 2,6 bilhões disponíveis para investimentos, o correspondente a 3,2%. A assessoria de imprensa do Ministério do Planejamento garante, no entanto, que para este ano estão previstos apenas R$ 13,066 bilhões em investimentos públicos devido aos cortes no orçamento anunciados pela equipe econômica, e não R$ 22 bilhões. A assessoria do ministro Paulo Bernardo confirma que nos seis primeiros meses do ano foram gastos apenas R$ 886,8 milhões e diz que, tradicionalmente, os projetos são estudados no primeiro semestre, para serem executados nos últimos seis meses do ano. Mas as perspectivas de arrocho continuam. Na sexta-feira, quando esteve no Rio, o presidente do PT, Tarso Genro, afirmou que a equipe econômica se prepara para apresentar proposta de elevação do superávit primário em 2006 de 4,25% do PIB (Produto Interno Bruto) para 5% do PIB. - A área econômica está apresentando agora um orçamento para o ano que vem propondo um superávit de 5%. Se eles propõem 4,25% e estão fazendo mais de 5%, se eles propuserem 5% vão fazer mais de 6% - criticou o ex-ministro da Educação que hoje está à frente do partido.
[15/AGO/2005]
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