Ala ligada a Temer diz que recusará cargos. Grupo de Renan pede ministérios
BRASÍLIA -
Muito esforço por quase nada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ter de manter negociação em separado com o PMDB para garantir a “governabilidade”.
– O Lula vai pagar mais pelo mesmo – resumiu ontem o deputado Geddel Vieira Lima (BA), durante a tumultuada reunião da bancada da Câmara convocada para decidir sobre o apoio ao Poder Executivo.
Apesar de toda a exposição do presidente, posando de mãos dadas com os peemedebistas para fotos, no início da noite o presidente da legenda, Michel Temer, rejeitou a oferta do Planalto por mais ministérios formalizada em almoço na última sexta-feira. Hoje ele pretende procurar o presidente Lula e dizer para não contar com o PMDB de corpo inteiro, como era o seu desejo, ao propor o chamado governo de coalizão.
– O presidente foi muito leal comigo quando me disse, semana passada, que queria contar com o PMDB por inteiro. Por isso, vou dizer a ele, também por um dever de lealdade, que isso não será possível. É melhor deixar como está – afirmou.
Com a rejeição do dote oferecido pelo Planalto, o PMDB governista, capitaneado pelo presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), passou a trabalhar desde o início da noite de ontem para manter sob sua batuta as duas pastas que controlam atualmente, Previdência Social e Comunicações, mais o das Minas e Energia, prometido pelo presidente ao senador José Sarney (PMDB-AP). Para isso, os governistas articulam no sentido de assegurar ao menos o apoio congressual do PMDB ao governo.
– O pacto pela governabilidade está relacionado à construção de uma maioria no Congresso. Essa coisa de ocupação de espaços, se vai ter três ou quatro ministérios, é irrelevante – afirmou Renan depois de tomar conhecimento de que o partido não marcharia unido com o Planalto.
A idéia seria produzir dois pólos de apoio ao governo no Congresso. Um na Câmara, sob a orientação do líder José Borba (PMDB-PR) e outro no Senado, Renan, o senador Ney Suassuna (PMDB-PB) e o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) à frente. A tarefa, no entanto, não é fácil uma vez que a divisão do partido ficou mais uma vez evidenciada à luz da crise. A ala ligada ao ex-governador Anthony Garotinho, por exemplo, reúne cerca de 40 deputados e resiste a apoiar o governo.
O Planalto, contudo, interessado na providencial sustentação dos peemedebistas ainda não jogou a toalha. Na noite de ontem, ministros do núcleo político entraram em campo para reverter a decisão do PMDB.
A dificuldade para um entendimento já havia ficado constatada em jantar na noite de anteontem na residência do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL) que reuniu as principais lideranças peemedebistas. Durante a discussão, Temer e o ex-deputado Eliseu Padilha defenderam a tese da convocação de uma convenção para examinar a proposta do presidente Lula por uma ocupação mais efetiva do PMDB na estrutura administrativa federal. Mas falaram sozinhos, segundo dois comensais. A maioria foi favorável a que o pacto pela governabilidade idealizado por Lula fosse submetido à Executiva, por ser uma maneira mais simples e rápida de definir a questão.
– A Executiva que serve para prorrogar mandatos também deve servir para deliberar sobre uma proposta do Lula, não é justo ? – ponderou um dos presentes no encontro.
O racha se acentuou durante reunião da bancada do PMDB realizada na Câmara na tarde de ontem. Tenso e tumultuado, o encontro terminou sem qualquer definição depois de quase duas horas de discussão. Estavam presentes 61 dos 85 peemedebistas.
– A reunião da bancada do PMDB terminou sem decisão a respeito da proposta do presidente, depois que diversos deputados se manifestaram contra a participação do partido no Ministério. A bancada se dividiu – disse Temer. No início da noite a bancada soltou uma nota em favor da governabilidade, mas sem cargos.
Com agências