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O Estado paralelo


Bairro do Fragoso, em Magé. Num imóvel com cerca de 15 metros de frente, uma enorme placa anuncia ''Nós cuidamos da sua saúde''. Ao lado, uma foto de Renato Medeiros, ex-companheiro da prefeita, Núbia Cozzolino.

Fabiana de Jesus Costa, de 21 anos, levou a filha Ingrid Vitória de um ano e seis meses para ser atendida:

- Aqui você faz a ficha e é atendida na hora. No posto da prefeitura você tem de acordar cedo, marcar um horário e esperar 15 dias para ser atendida.

Valdete Bitencourt, 50 anos, que se apresenta como administradora do centro, explica:

- A Núbia trabalhava nesse centro social há muitos anos, era sua marca. Esse trabalho social a prefeitura não faz. Só cuida da emergência. Então ela resolveu manter o centro.

No prédio trabalham sete funcionários da Secretaria Municipal de Saúde auxiliam nos trabalhos de pediatria e fisioterapia. Na camisa, a inscrição: Programa de Saúde da Família (PSF). Segundo a prefeita, o imóvel onde durante 12 anos funcionou o SOS Núbia não seria mais um centro. Apesar de não ter sequer um cartaz da prefeitura e de Valdete garantir que ali ainda está instalada uma instituição independente do governo municipal, a prefeita nega:

- Só botaram o nome do Renato para homenagear uma pessoa que ajudou muito aquele povo. O PSF era lá muito longe, numa casa alugada. Então o que fizemos foi fazer um contrato de comodato, já que esse imóvel é da minha mãe.

A confusão não termina por aí. Segundo Valdete, os funcionários são da associação SOS Núbia. A prefeita garante que todos são da prefeitura.

Segundo a promotora de Justiça Criminal de Magé, Rhamile Sodré de Oliveira, é necessária uma investigação profunda do caso, já que a prefeita tem de provar que não estaria usando funcionários da prefeitura num centro social particular.

- O serviço de saúde como o de segurança pública devem ser prestados pelo estado. A prefeita estaria fazendo trabalhos comunitários usando pessoas da prefeitura que não podem ser cedidos - explica.

A promotora promete investigar o caso e se forem encontradas irregularidades a prefeita pode perder o mandato.


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[24/ABR/2005]


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