E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Especial
Fórum Social Mundial 2005

Colunistas

Evangélicos crescem mais nas periferias


As igrejas evangélicas brasileiras arrebanharam mais fiéis nos últimos anos nos grupos mais desprotegidos da população. É o que mostra o estudo Retrato das Religiões do Brasil, divulgado ontem pela FGV. Dados do Censo 2000 revelam que a presença evangélica é maior do que a média (16,22%) em favelas (20,61%), periferias de regiões metropolitanas (20,72%), entre pessoas com até um ano de estudo (15,07%), desempregados (16,52%) e migrantes recentes (19,17%).

Por outro lado, os católicos são mais numerosos entre os empregadores - 76,38% - e os mais escolarizados - 74%. No Brasil, os católicos representam 73,89% da população -eram 91,78% em 1970 e 83,36% em 1991. É ainda o país com o maior número de católicos do mundo.

Para Marcelo Neri, coordenador do Centro de Políticas Sociais da FGV, a estagnação econômica da chamada ''década perdida''' (anos 80) possibilitou a expansão dos evangélicos.

- A igreja é vista como uma forma de ascensão social. As igrejas emergentes cumprem um papel fundamental como rede de proteção social, num momento de desconforto econômico. Substituíram em parte o Estado, pois oferecem serviços sociais e cobram impostos, os dízimos.

Em média, os evangélicos correspondiam a 16,22% da população - eram 9,59% em 1991 e 6,55% em 1980. No período, avançou também o percentual de pessoas que se declararam sem religião - para 7,34% em 2000.

Comparando populações com exatamente as mesmas características socioeconômicas e raciais, a renda dos católicos é 7% maior do que a dos evangélicos e 10% mais alta do que a dos sem-religião.

Para Neri, o declínio relativo da religião católica no Brasil se explica por ''uma certa inércia'' na mudança de seus costumes e regras, ao mesmo tempo em que ''o contexto econômico e social no Brasil mudou muito''.

- A Igreja Católica não acompanhou a necessidade de mulheres e desempregados, por exemplo, que buscara, abrigo em outrs religiões.

A pesquisa traçou ainda um perfil regional das religiões: há mais católicos no meio rural e pequenas cidades, enquanto os evangélicos se concentram nas periferias das grandes cidades. Neri disse que tal fenômeno ocorre porque a crise social e econômica foi muito mais grave nas grandes metrópoles, o que explica o avanço dos evangélicos.

- O crescimento dos evangélicos é fenômeno de periferia.

Em áreas rurais, os católicos eram 84,26%. Nas periferias das regiões metropolitanas, 65,18%. Já os evangélicos representavam 20,72% dos moradores de periferias metropolitanas.

A queda do número de católicos e crescimento das religiões evangélicas fica ainda mais evidente no Rio de Janeiro. O estado lidera o ranking nacional dos agnósticos, com 15,76%. Também aparece em primeiro lugar no índice dos estados com menos católicos (56% contra 79% da média nacional).


Aumentar letras Versão para imprimir Diminuir letras Enviar matéria

[21/ABR/2005]


   Home > Brasil


Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | JB Barra | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem
Acelera | Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas