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Lula relata caso de corrupção no governo FH

Presidente não cita nomes, mas assessoria de Carlos Lessa confirma denúncia

Folhapress

JAGUARÉ, ES - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem ter evitado a divulgação de supostos casos de corrupção ocorridos o governo Fernando Henrique Cardoso, relatados a ele por ''um alto companheiro'', no início da gestão petista.

A afirmação foi feita durante discurso de 35 minutos, em visita à nova estação de tratamento de óleo da Petrobras, localizada na Fazenda Alegre, em Jaguaré, no Espírito Santo, acompanhado da ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, do presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, e do governador capixaba, Paulo Hartung (sem partido).

Sem citar o nomes, Lula disse que o episódio ocorreu quando um ''alto funcionário'' do governo, ''que exercia função muito importante'', foi prestar contas da situação econômica da instituição que assumira.

- Ele me dizia simplesmente o seguinte: ''Presidente, a nossa instituição está quebrada. O processo de corrupção que aconteceu antes de nós foi muito grande. Algumas privatizações que foram feitas levaram a instituição a uma quebradeira.

Lula afirmou ter recomendado ao ''companheiro'' que ''fechasse a boca''. O presidente relata ter dito ao ''companheiro'' que se tudo o que ele estava dizendo fosse verdade, só poderia falar sobre o fato para ele, Lula.

- Aí para fora você feche a boca e diga que a nossa instituição está preparada para o desenvolvimento do nosso país - continuou.

À tarde, por intermédio de sua assessoria, o ex-presidente do BNDES, Carlos Lessa, confirmou ter conversado com o presidente sobre o situação em que encontrou o banco, em razão das privatizações feitas no governo Fernando Henrique. De acordo com a assessoria, Lessa não chegou a dizer que o banco estava ''quebrado'', como afirmou Lula no Espírito Santo. A assessoria confirmou também que o presidente pediu a Lessa para não divulgar o fato.

O presidente justificou sua atitude de impedir a suposta denúncia como uma estratégia para não transmitir uma mensagem negativa de determinadas ''instituições da República'' à sociedade brasileira e ao exterior.

- Isso poderia ser bom se eu tivesse tomado a decisão de achincalhar o governo que eu substitui. E eu tomei uma decisão muito pessoal, e fiz com que o governo assumisse essa posição. O presidente que tinha deixado o governo tinha feito aquilo que ele entendia que tinha de fazer. Em vez de ficar preocupado com o que ele deixou de fazer, eu tinha de me preocupar com o que eu mesmo tinha de fazer.

Lula foi aplaudido ao terminar a frase por uma platéia formada por cerca de 400 pessoas, entre empregados da Petrobras e políticos de municípios da região. Logo depois, o presidente comparou a situação ao casamento com uma mulher viúva.

- Numa linguagem mais popular, quando a gente casa com uma viúva, a gente não recusa a família, e a recíproca é verdadeira, porque a mulher quando casa com o viúvo leva uma penca de problemas.

No pronunciamento, Lula ainda desferiu mais críticas à gestão FHC. Disse que seu antecessor faz ataques a suas políticas sociais, mas que o governo do PT empenhará 135% a mais em investimentos na área social que em 2002 (último ano do governo FHC). Segundo Lula, em 2002 eram empenhados R$ 7,2 bilhões em políticas sociais e, neste ano, essa fatia será ampliada para R$ 17 bilhões.

- De vez em quando vejo nos jornais que o governo não está gastando com o social. Nós vamos continuar gastando com política social, porque o dinheiro que gastamos nessa área é muito mais importante que o dinheiro que muitas vezes foi historicamente roubado deste país - disse.

Ao classificar a si mesmo como ''o maior vendedor de otimismo do país'', Lula citou os planos Real e Cruzado como exemplos de oportunidades de desenvolvimento econômico desperdiçadas nos últimos anos.

- Acredito que o Brasil está tendo uma oportunidade histórica que há muitos anos não tinha. As que teve jogou fora.


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[25/FEV/2005]


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