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PF de mãos amarradas no caso Kroll

Decisão judicial impede que agentes federais analisem disco rígido apreendido ano passado na sede do Banco Opportunity

Hugo Marques

BRASÍLIA - Em uma de suas investigações mais polêmicas, a Polícia Federal está de mãos amarradas. Uma decisão da Justiça Federal de São Paulo impede que a PF faça a análise do banco de dados do disco rígido apreendido no ano passado, no Rio, na sede do Banco Opportunity, do empresário Daniel Dantas. Com o impedimento legal para a análise dos dados, a área de perícia da PF não tem como analisar o material e o inquérito fica parado. O banqueiro e a presidente da Brasil Telecom, Carla Cico, contrataram a empresa de Kroll Associates para espionar a Telecom Itália.

Segundo fontes da PF, a corporação recebeu, no mês passado, uma decisão da 5ª Vara da Justiça Federal de São Paulo impedindo a análise dos dados do disco rígido. A Justiça tinha autorizado a busca e apreensão do material no Opportunity e posteriormente permitiu o ''espelhamento'' do disco rígido, que é a elaboração de uma cópia do material.

O Ministério Público em São Paulo já recorreu da decisão da Justiça Federal, junto ao Tribunal Regional Federal no Estado, para que os dados possam ser analisados. O problema é que a PF precisa fechar o inquérito e é necessário esperar o julgamento do TRF. Segundo investigadores, em muitos casos a Justiça não aceita os chamados ''contraditórios'' durante a fase de apuração.

A análise dos dados do disco rígido do computador central do Opportunity, segundo a PF, é importante para encontrar mais elementos de provas sobre a contratação da Kroll. As investigações comprovam que a Kroll Associates da Inglaterra fez espionagem no Brasil, se utilizando da estrutura da empresa em São Paulo. Para isso, utilizou estrangeiros, exemplo do espião português Tiago Verdial, servidores públicos e jornalistas.

Dantas e Carla Cico, segundo os investigadores, tiveram reuniões na sede do Opportunity com os funcionários da Kroll na Inglaterra, entre eles os ingleses Charles Carr, Omer Erginsoy e Peter Goodall. O esquema de espionagem respingou em autoridades do Judiciário do Rio e do governo federal, entre elas o ministro da Secretaria de Comunicação, Luiz Gushiken.

Para os investigadores, pelo menos um dos investigados da Operação Chacal teria tido acesso a informações do processo. Segundo fontes que acompanham a disputa judicial em torno do caso, a sugestão apresentada aos investigadores é que os advogados de Dantas acompanhassem a análise técnica dos dados na área de perícia da PF, sugestão que não foi aceita entre os peritos.

Enquanto a Operação Chacal fica praticamente suspensa, a PF tenta desvendar o caso Waldomiro Diniz, no qual apura denúncias contra o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil da Presidência da República que foi filmado pedindo propina ao bicheiro Carlinhos Cachoeira. O delegado do caso, César Nunes, vai perder poder à frente do inquérito.

A PF procura uma solução na qual a investigação possa ser feita por um grupo de agentes e delegados que saibam trabalhar em grupo e que apresentem resultados práticos para punir autoridades que supostamente manipularam a renovação do contrato de prestação de serviços de informática da Caixa Econômica Federal, renovado com a multinacional Gtech. A PF recebeu pedido de diligências e colhimento de novos depoimentos, para que o caso seja esclarecido. Waldomiro Diniz foi demitido da Casa Civil da Presidência da República ''a pedido'' e em nenhum momento foi preso.


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[15/JAN/2005]


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