A criação de peixes em cativeiro no Mato Grosso do Sul ainda não foi afetada pelo molusco asiático. Segundo o executivo de vendas da empresa Projeto Pacu, Otávio Prestes, estão sendo tomadas medidas sanitárias, como esterilização de caminhões que transportam matrizes, para evitar qualquer tipo de contaminação. "É preciso muito cuidado", resume Prestes.
Com sede em Campo Grande, a Projeto Pacu produz e comercializa alevinos de espécies do Pantanal, como pacu, pintado, dourado e piraputanga e da Bacia Amazônica, como pirarucu e pirarara.
Dados da Câmara Setorial de Piscicultura apontam que os piscicultores de Mato Grosso do sul produzem anualmente entre 3,5 mil e quatro mil toneladas de pescados criados em 1,8 mil hectares de lâmina d’água. Há no estado 650 piscicultores.
Energia - Os mexilhões dourados também mobilizaram a Companhia Energética de São Paulo (Cesp). A empresa atua no controle dos moluscos nas hidrelétricas do rio Paraná na divisa com Mato Grosso do Sul - Porto Primavera, Jupiá e Ilha Solteira – desde de 2000. De acordo com o engenheiro agrônomo da Cesp, André Luiz Mustafá, foi detectada uma colônia do molusco na usina de Porto Primavera. Em Jupiá e Ilha Solteira foram descobertos organismos isolados.
O entupimento de tubulações que levam água para o sistema de resfriamento das hidrelétricas, por colônias de mexilhões dourados, comprometeria o funcionamento de turbinas, influenciando negativamente na geração de energia. O agrônomo André Mustafá disse que os mexilhões ainda não causaram problemas para o sistema hidrelétrico. E acrescenta que a Cesp tem adotado medidas preventivas para evitar que o invasor provoque prejuízos. "Na Itaipu binacional há presença do mexilhão dourado desde 2002", recorda Mustafá.
A preocupação com o invasor é tão grande que o Ministério do Meio Ambiente criou a Força Tarefa Nacional para tentar conter o avanço do molusco. O Plano de Ação Emergencial para controle do mexilhão dourado no Alto Paraguai, Pantanal sul-mato-grossense, foi lançado em julho.
A pesquisadora da Embrapa Pantanal, bióloga Márcia Divina de Oliveira, afirma que é preciso conter o avanço do molusco, porque, através de afluentes do Rio Paraguai, ele pode atingir praticamente todo o Mato Grosso do Sul. Não está descarta a hipótese de o mexilhão dourado chegar à bacia Amazônica. "Se não for feito nada, ele pode invadir o Brasil como um todo", adverte Márcia Divina.
O mexilhão dourado adulto ou suas larvas podem ser levados a outras regiões incrustados em embarcações transportadas via terrestre e por meio da navegação, em casco e equipamentos de barcos e navios. Os equipamentos de pesca, isca e os peixes também são dispersores do molusco.
Os técnicos estão concentrando o trabalho de conscientização nos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo e em Porto Alegre (rio Guaíba). No Alto Paraná, o Plano Emergencial é executado pela Cesp.