Motivo de discussões, rachas e preocupação política entre autoridades dos poderes Legislativo e Executivo, o valor do novo salário mínimo também inquieta a população. Não apenas pela necessidade de aumentar o curto orçamento familiar, mas pela desinformação generalizada. Os complexos cálculos dos governos federal e estaduais são traduzidos em dúvida para os brasileiros.
Enredado entre os números - 260, 270, 300, 305? - que aparecem nas páginas dos jornais e nos discursos de políticos, o eletricista de Nilópolis, no Rio, Jorge Soares, 50 anos, não sabia que o Estado em que mora tem um salário mínimo maior do que os atuais R$ 260. Ele não está sozinho. Não faltam trabalhadores e empregadores fluminenses que estejam se baseando, de forma equivocada, nas decisões tomadas em Brasília. A verdade, no entanto, é que a medida provisória de Lula e possíveis novas propostas no Senado pouco mudarão os salários no Rio, exceto o pagamento dos aposentados, ainda corrigido pelo mínimo nacional.
Conforme reajuste aprovado este ano pela Assembléia Legislativa do Rio, o salário dos trabalhadores da faixa 1 (setor agrícola) é de R$ 290. Os da faixa 2 (empregados domésticos, por exemplo) recebem no mínimo R$ 305. Quem estiver na faixa 3 (como carteiros, cozinheiros, operadores de caixa, lavadeiros, barbeiros, cabeleireiros, manicures e pescadores) tem mínimo de R$ 316, enquanto, para os trabalhadores da faixa 4 (cobrador de transporte coletivo, trabalhador de minas, pintor, pedreiro e garçom, por exemplo), o valor é R$ 327.
Na faixa 5 (onde se situam os administradores, encanadores, soldadores, trabalhadores das artes gráficas e barmans), o mínimo sobe para R$ 338.
Profissionais da faixa 6 (como os que operam máquinas de contabilidade, de calcular ou de processamento automático de dados, secretários, datilógrafos, telefonistas e operadores de telefone e telemarketing) têm mínimo de R$ 349. (D.D.)