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Stédile pede que ministros trabalhem


BRASÍLIA - Os coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stédile e Gilmar Mauro disseram ontem que o ritmo das invasões não será amenizado diante de eventuais pedidos de ministros.

- Está na hora de esses ministros desligarem os telefones e trabalharem - afirmou Stédile, lembrando que até agora nenhum ministro ou interlocutor do governo procurou o movimento.

Para o MST, o diálogo com o Planalto é importante e deve ser mantido, desde que a ''autonomia'' do movimento seja respeitada.

- Há um respeito mútuo. Nós respeitamos a autonomia do PT e eles respeitam a nossa. Essa tem sido a tônica - explicou Mauro.

No Pontal do Paranapanema, cerca de 500 integrantes de quatro grupos de sem-terra - todos dissidentes do MST - bloquearam ontem de manhã a Rodovia Raposo Tavares (SP-270). O protesto ocorreu em Presidente Epitácio (655 quilômetros a oeste de SP) e, segundo os organizadores, o motivo foi a ''lentidão do governo estadual na condução da reforma agrária''.

A manifestação contou com representantes da União dos Movimentos Sociais pela Terra, do Movimento Associação Renovadora Sem Terra e do Movimento Sem Terra Nova Força. O bloqueio causou uma fila de veículos num percurso de dois quilômetros. O ato ocorreu um dia depois de o MST concluir, em Presidente Prudente, duas marchas de seis dias, também em protesto contra a lentidão da reforma agrária.

No Mato Grosso do Sul, a Justiça determinou que o MST pague multa diária, acumulada ontem em R$ 35 mil, por não desocupar espontaneamente a Fazenda Boa Vista, na cidade de Sidrolândia, invadida no dia 27 de março.

A repercussão das invasões chegou ontem ao Reino Unido. O jornal inglês Financial Times publicou reportagem sobre o tema, relacionando as ações com a repercussão do caso Waldomiro Diniz e as eleições municipais deste ano.

- A recente onda do MST surge justamente quando Lula esperava que a repercussão de um escândalo envolvendo um assessor presidencial começasse a diminuir - diz o texto, que lembra a expressão ''infernizar'', usada por Stédile para se referir às invasões de abril.

Agência Folha


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[08/ABR/2004]


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