No melhor estilo pastelão, o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, recebeu ontem em Fortaleza (CE) uma torta no rosto, jogada por uma ativista do movimento Crítica Radical - grupo com atuação estadual que se denomina ''contra o capitalismo e a favor da implantação da sociedade de emancipação humana''.
A agressão aconteceu na sede da Federação das Indústrias do Ceará, pouco antes do início da cerimônia de inauguração do Centro da Juventude do Estado, evento ligado ao programa federal Primeiro Emprego.
Berzoini entrou no auditório e se sentou na primeira fila da platéia. Enquanto aguardava o chamado para compor a mesa principal, a agressora, cujo nome não foi divulgado, entrou na sua frente e jogou a torta.
- Na verdade, ela esfregou a torta na cara dele - relatou a ex-vereadora do PSB e integrante do Crítica Radical, Rosa Fonseca.
Segundo ela, antes de agredir o ministro, a mulher disse a Berzoini: ''É isso que você merece''. Até as 20h, a agressora não havia sido identificada.
- Foi um ato completamente merecido - afirmou Rosa.
Segundo ela, a torta, feita com açúcar e farinha e decorada com cerejas, era direcionada ''a todo o governo Lula''.
- Lula é o responsável pelas medidas do governo, pela reforma da Previdência e a futura reforma trabalhista - declarou a ativista.
Quando Berzoini era ministro da Previdência, exigiu que milhares de aposentados com mais de 90 anos se recadastrassem nos postos do INSS. A medida impopular gerou longas filas em todo o país.
- O presidente quer apenas dar sobrevida ao capitalismo em sua fase final - afirmou a ex-vereadora.
A agressão ao ministro foi o ato final de uma manifestação iniciada horas antes, com a participação de cerca de 50 pessoas ligadas ao grupo - entre elas a ex-prefeita petista de Fortaleza, Maria Luiza Fontenelle.
O grupo foi ao local do evento e levantou duas faixas com frases de protesto contra o governo e o ministro. Gritaram palavras de ordem e depois atacaram.
Criado há cerca de quatro anos, o Crítica Radical não tem em sua liderança militantes políticos filiados a qualquer partido.
- Não participamos de partidos. Nosso objetivo é lutar contra o capitalismo - explicou Rosa.
Segundo ela, a entidade não tem como meta a implantação do socialismo, mas sim um modelo de sociedade que chama de ''corrente da emancipação humana''.
- Queremos resgatar a crítica radical de Karl Marx ao capitalismo - declarou.
Até as 20h, o Ministério do Trabalho não havia divulgado nota sobre o incidente.
Agência Folha