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Gabeira sente falta de travestis no Congresso

Deputado sugere criação de fundo para mudanças de sexo

ABr

Gabeira discursa no lançamento da campanha contra a Aids

BRASÍLIA - Ao defender ontem a hipotética eleição de um travesti para o Congresso, o deputado federal Fernando Gabeira (sem partido-RJ) disse, em discurso feito na Câmara, que esse representante de minoria enfrentaria resistências como as que ele próprio enfrenta.

- Ele teria dificuldades para aprovar projetos. Mas não é isso que eu também tenho, como representante dos usuários de maconha? - indagou.

As declarações foram o ponto alto do lançamento da primeira campanha de prevenção contra a Aids e as doenças sexualmente transmissíveis, voltada exclusivamente para travestis. O ato foi realizado na Câmara por iniciativa do Ministério da Saúde.

Gabeira ainda fez uma sugestão inusitada para financiar operações de mudança de sexo no país.

- Os travestis brasileiros que batalham lá fora (no exterior) poderiam doar U$ 1 para ajudar os travestis brasileiros a virarem mulher.

Gabeira é um personagem da esquerda brasileira que transitou da participação na luta armada contra o regime militar para uma atuação parlamentar de defesa de minorias. Suas principais bandeiras são as causas ecológicas, a defesa dos homossexuais e a pregação pela descriminalização do uso da maconha.

- Temos aqui no Congresso um processo progressivo de absorção de minorias. Em 1982, tivemos o primeiro índio, o Juruna, cresceu a participação das bancadas femininas e do bloco afro-brasileiro, não há nenhum inconveniente de ter parlamentares travestis e homossexuais - disse o deputado.

De acordo com o Ministério da Saúde, a campanha é centrada no reforço a atitudes de respeito e de inclusão social desse segmento da população, que se torna muito vulnerável ao vírus da Aids por preconceito e violência.

A vice-presidente da Articulação Nacional de Transgêneros (travestis), Marcela Prado, presente ao evento, considerou a campanha um avanço contra a preconceito.

- O mercado de trabalho é escasso e não temos espaço. Eu queria trabalhar em uma multinacional, mas a única alternativa para 90% dos transgêneros é o mercado sexual, a prostituição - afirmou.

Em outubro do ano passado, o Congresso também lançou a Frente Parlamentar pela Livre Expressão Sexual. Um dos objetivos é a aprovação de 15 projetos de lei e emendas constitucionais assegurando direitos dos homossexuais. À época, Gabeira pregou a tolerância.

- Que as pessoas façam sexo como quiserem. Se surgir um movimento pelo papai-e-mamãe vamos apoiar também - disse ele.

Agência Folha


[30/JAN/2004]


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