Os pioneiros

Chiquinha Gonzaga (1847-1935)
Anacleto de Medeiros (1866-1907)
Quincas Laranjeiras (1873-1935)
Irineu de Almeida (1873-1916)
Patápio Silva (1880-1907)
Joaquim Callado (1848-1880)
Viriato Figueira (1851-1883)
Juca Kallut (1858-1922)
Satyro Bilhar (1860 -1927)
Ernesto Nazareth (1863-1934)
João Pernambuco (1883-1947)
Pixinguinha (1897-1973)
Luís Americano (1900-1960)
Benedito Lacerda (1903-1958)
Luperce Miranda (1904-1977)
Radamés Gnattali (1906-1988)
Abel Ferreira (1915-1980)
Garoto (1915-1955)
Jacob do Bandolim (1918-1968)
Raphael Rabello (1962-1995)

Chiquinha Gonzaga (1847-1935)

A pianista, compositora e maestrina Francisca Edwiges Gonzaga abriu caminho para a participação profissional da mulher na música popular brasileira. Embora sua obra completa ainda não tenha sido catalogada, sua biógrafa Edinha Diniz relaciona mais de 300 composições de sua autoria, escritas para inúmeras formações instrumentais.

No início de sua carreira integrava o conjunto de Joaquim Callado, dava aulas de piano e tocava em bailes. Ficou famosa quando, em 1877, teve sua primeira composição editada: a polca Atraente. Foi através do teatro ligeiro que Chiquinha se projetou como compositora, ganhando prestígio. Para essas peças teatrais compôs os mais diversos gêneros musicais: polca, fado, tango, habanera, choro, marcha, dobrado, lundu, maxixe, modinha.

Além de participar de campanhas abolicionistas e republicanas, Chiquinha foi fundadora da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT), sendo precursora na luta pelos direitos autorais.

Anacleto de Medeiros (1866-1907)

Anacleto Augusto de Medeiros foi um dos maiores compositores de choro de todos os tempos. Nasceu em Paquetá (RJ), filho natural de uma escrava liberta. Começou a estudar música aos nove anos de idade na Banda do Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro com o maestro Antônio dos Santos Bocot. Trabalhando como tipógrafo, ingressou no Conservatório de Música e se formou em 1886, tendo sido contemporâneo de Francisco Braga. Já então tocava vários instrumentos de sopro. Passou a se dedicar à composição e à organização de conjuntos instrumentais como o Clube Musical Guttemberg e a Banda da Sociedade Recreio Musical Paquetaense.

Aos trinta anos de idade Anacleto já era conhecido como regente e compositor quando foi convidado para organizar a Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. Reuniu antigos colegas da Banda do Arsenal de Guerra, integrantes da Banda de Paquetá e seus companheiros de choro, compondo a melhor banda da cidade. Sob sua direção, a Banda do Corpo de Bombeiros ficou famosa ao participar das primeiras gravações feitas no Brasil para a Casa Edison em 1902.

Por essa época compunha bastante, muitasdestas composições alcançando grande popularidade e sendo executadaspor bandas de todo Brasil. Ary Vasconcelos, em seu livro ’Panorama da MPB na Belle Époque’, lista 90 composições suase também outras 49, relacionadas em Catálogo da Casa Edison e gravadas pela Banda do Corpo de Bombeiros, que provavelmente são de sua autoria.

A música de Anacleto inspirou vários compositores, que fizeram uso de seus temas na criação de obras de concerto. Villa-Lobos na série Choros e Radamés Gnattali no 3° movimento da suíte Retratos são exemplos que confirmam a importância de Anacleto de Medeiros para a música brasileira. Morreu ainda solteiro no dia 14 de agosto de 1907, de colapso cardíaco, na mesma Paquetá em que nascera, sendo sepultado ao som das várias bandas que regeu em vida.

Quincas Laranjeiras (1873-1935)

Violonista e compositor pernambucano, Joaquim Francisco dos Santos se tornou conhecido como Quincas Laranjeiras. Com apenas seis meses de idade veio morar no Rio de Janeiro, onde permaneceu por toda a vida. Aos 11 anos iniciou seu aprendizado musical com o maestro João Elias, regente da banda do estabelecimento onde trabalhava: a Fábrica de Tecidos Aliança, situada no bairro de Laranjeiras. Nesta época tocava flauta quando um de seus irmãos começou a aprender violão. Ficou tão fascinado pelo instrumento que passou a se dedicar exclusivamente a ele, tornando-se um excelente acompanhador de modinhas.

Aos 16 anos começou a trabalhar como funcionário público e passou a freqüentar os célebres saraus da casa O Cavaquinho de Ouro, onde conviveu com Villa-Lobos, Catulo da Paixão Cearense, Anacleto de Medeiros, Irineu de Almeida, Juca Kallut, José Rebelo da Silva (Zé Cavaquinho) e João Pernambuco.

Quincas se aprofundou no estudo do instrumento e além de grande acompanhador tornou-se solista de rara habilidade. Tocava com desembaraço polcas, valsas e o repertório violonístico da época (Carcassi, Castellati, Cano, entre outros). Foi pioneiro no ensino do violão "por música" no Rio de Janeiro, adotando os métodos de Dionísio Aguado e F. Tárrega. Ampliou o repertório do instrumento escrevendo transcrições e arranjos para violão solo.

Em meados da década de 20 retirou-se dos grupos de choro, mas continuou ensinando violão em casa para inúmeros alunos. Morreu em 3 de fevereiro de 1935, no Rio, sem nenhuma referência na imprensa, como lamenta o ’Animal’ em seu livro O Choro: reminiscências de antigos chorões.

Irineu de Almeida (1873-1916)

Irineu de Almeida ficou conhecido nas rodas musicais como Irineu Batina. Mestre na linguagem do contraponto (melodia de acompanhamento que dialoga com a melodia principal), Irineu tocava oficleide (instrumento de chaves e bocal similar ao de uma tuba), trombone e bombardino.

Integrou a Banda do Corpo de Bombeiros quando da sua fundação em 1896, sob a batuta de Anacleto de Medeiros. Fez parte do grupo que freqüentava a tradicional loja O Cavaquinho de Ouro, ao lado de outros chorões como Quincas Laranjeiras, Villa-Lobos, João Pernambuco, Luiz de Souza, Satyro Bilhar e Anacleto de Medeiros. Foi companheiro de choro de Albertino Pimentel, Neco, Irineu Pianinho, Galdino e Henrique Rosa, entre outros.

Por volta de 1911 tornou-se professor de Pixinguinha, quando passou a freqüentar a casa de seu pai, Alfredo da Rocha Vianna. Em 1913, integrando o conjunto Choro Carioca, gravou várias de suas composições para a Casa Faulhaber, entre as quais o schottisch Os Olhos d’Ella, o tango Aí, Morcego (dedicado a um famoso carnavalesco e boêmio desse tempo, o Amaral dos Correios) e o tango brasileiro São João Debaixo D’Água, com a participação de Pixinguinha, que fazia sua primeira gravação. Podemos constatar nesta gravação o quanto Pixinguinha foi influenciado por seu mestre na arte do contraponto. Irineu de Almeida deixou mais de 30 obras impressas.

Patápio Silva (1880-1907)

Flautista e compositor, Patápio Silva foi um dos maiores virtuoses do nosso país nesse instrumento. Nasceu na cidade de Itaocara (RJ) a 22 de outubro de 1880. Ainda menino se mudou para a cidade de Cataguases (MG), onde viveu sua infância trabalhando como barbeiro, ofício que seu pai lhe ensinou.

Desde cedo demonstrou interesse em estudar música, aprendendo a tocar numa flauta de folha de flandres de cinco furos. Aos 14 anos ingressou na banda de música da cidade e teve aulas de teoria e solfejo com o maestro italiano Duchesne, que por ali passava. Aos 15 anos conseguiu comprar uma flauta de chaves, deixou Cataguases e foi tocar em diversas bandas dos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, passando por cidades como São Fidélis, Miracema, Pádua e Campos. Logo tornou-se muito conhecido.

Em 1901 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi estudar no Instituto Nacional de Música com o professor, flautista e compositor Duque Estrada Meyer. Trabalhava como tipógrafo e barbeiro para se manter. Duque Estrada ficou tão assombrado com seu talento que recebeu-o como um filho, oferecendo toda ajuda de que necessitasse. Patápio concluiu o curso em dois anos, o equivalente a um terço da duração normal. Em seguida, contratado por Fred Figner, gravou vários discos para a Casa Edison, interpretando peças de autores europeus e brasileiros, inclusive algumas de sua autoria. Seu virtuosismo era tão conhecido que foi convidado a tocar no Palácio do Catete para o então presidente da República, Afonso Pena.

Aconselhado por seu mestre, resolveu excursionar pelo Brasil a fim de obter recursos para estudar na Europa. Em fins de 1904 Patápio iniciou uma turnê pelos estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Quando chegou a Florianópolis contraiu difteria e morreu cinco dias depois, no dia 24 de abril de 1907, causando grande comoção não só na cidade como no Brasil todo. Seu funeral foi promovido pelo governo de Santa Catarina.

Patápio Silva recebeu homenagens de grandes flautistas contemporâneos como Altamiro Carrilho e Toninho Carrasqueira, em regravações de suas composições.

Joaquim Callado (1848-1880)

Flautista prodigioso, Joaquim Antônio da Silva Callado Júnior foi o músico mais popular de seu tempo. Nasceu a 11 de setembro de 1848, no Rio de Janeiro. Começou a estudar música com o pai e aos oito anos de idade teve, durante pouco tempo, aulas de música com Henrique Alves de Mesquita, antes da viagem do maestro à França.

Tornou-se profissional desde cedo tocando peças eruditas e músicas dançantes em bailes e festas familiares. Seus companheiros de choro foram Silveira, Viriato Figueira, Luizinho, Juca Valle e outros. O primeiro sucesso de Callado foi a polca Querida por Todos dedicada a sua amiga Chiquinha Gonzaga.

Callado teve o mérito de criar o primeiro conjunto com a formação instrumental básica do choro - flauta, dois violões e cavaquinho - o Choro Carioca, "entre 1867 e 1880, provavelmente", segundo consta no "Raízes da Musica Popular Brasileira", de Ary Vasconcelos.

Em 1873 Callado apresentou pela primeira vez um lundu como peça de concerto, intitulado Lundu Característico. A polca Cruzes, Minha Prima!, publicada em 1875, também foi um de seus grandes sucessos, chegando a ser citada pelo romancista Lima Barreto em "Clara dos Anjos": "Os velhos do Rio de Janeiro, ainda hoje se lembram do famoso Callado e das suas polcas, uma das quais, Cruzes, Minha Prima!, é uma lembrança emocionante para os cariocas que estão a roçar pelos setenta".

Foi professor de flauta do Imperial Conservatório de Música (cujo prédio hoje abriga o Centro Cultural Hélio Oiticica). Em 1879 recebeu de D. Pedro II a mais alta condecoração do Império: a Ordem da Rosa, como comendador, junto com os demais professores do Conservatório.

A obra de Callado, com exceção de poucas músicas como Flor Amorosa (publicada onze dias após a sua morte), é praticamente desconhecida. No ano 2000 a gravadora Acari Records lançou o primeiro CD inteiramente dedicado à obra de Joaquim Callado, porém mais de quarenta músicas permanecem inéditas.

Viriato Figueira (1851-1883)

O flautista Viriato Figueira da Silva nasceu em Macaé, estado do Rio de Janeiro. Estudou no Conservatório de Música do Rio de Janeiro com Callado, de quem se tornou grande amigo. Foi um dos primeiros a se destacar no Brasil como solista de saxofone. Viajou a São Paulo como integrante da orquestra do Teatro Phoenix Dramática, sob direção do maestro Henrique Alves de Mesquita.

Segundo o flautista Pedro de Assis, Viriato "empreendeu com grande êxito artístico e financeiro uma turnê artística às capitais nortistas alguns anos depois de ter feito a mesma digressão o maior flautista do mundo, o célebre flautista belga André Mateus Reichert".

A polca Só para Moer, de sua autoria, é a primeira em tonalidade menor de que se tem notícia, e uma das músicas mais lindas do repertório do choro. Gravada originalmente por Patápio Silva em 1902, popularizou-se entre os músicos de choro, tornando-se um clássico da obra de Viriato.

Juca Kallut (1858-1922)

Juca Kallut, cujo nome verdadeiro era José Lourenço Viana, nasceu no Rio de Janeiro no dia 5 de novembro de 1858, filho da negra doceira Carolina Kallut e do português conhecido como Caindé.

Kallut foi um dos grandes músicos de sua época e, segundo depoimento de seus filhos (Gastão Viana e José Lourenço Viana Jr) ao flautista Gerson Ferreira Pinto, até 1902 ainda tocava o oficleide. Com esse instrumento trabalhou em alguns teatros, como o Apolo, o Lírico e o Lucinda. Quando o oficleide caiu em desuso trocou-o pela flauta, inicialmente de ébano com 18 chaves. Mais tarde recebeu de presente de um grupo de amigos uma flauta francesa de prata que custara a expressiva quantia de 300 mil réis. Também tocava contrabaixo, bandolim e violão.

Foi considerado grande professor de flauta e teoria musical. Trabalhou como funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil e mais tarde nos Correios, onde foi carteiro de 1ª classe.

Costumava receber em sua casa a visita de muitos chorões e seresteiros. Dentre eles destacam-se os flautistas João Jupyaçara Xavier, Oscar Cabral e Henrique Dourado, o compositor Artidório Costa, os violonistas Desidério Pinto Machado, Satyro Bilhar e Quincas Laranjeiras, os poetas Catulo e Cândido Índio das Neves, os clarinetistas João dos Santos e Tenente Leal, o compositor Caninha Doce (José Luiz de Moraes, afilhado de Kallut) e o oficleidista Irineu de Almeida.

Juca Kallut faleceu no dia 20 de outubro de 1922, vítima de tuberculose pulmonar. Grande parte de suas composições foi perdida, mas ainda chegaram até nossos dias 18 de suas músicas.

Satyro Bilhar (1860 -1927)

O violonista, compositor, cantor e boêmio Satyro Bilhar nasceu no Ceará em 1860 e morreu no Rio de Janeiro em 1927. Foi tio da pianista e compositora Branca Bilhar (1887-1936). Luís Edmundo em seu livro de memórias O Rio de Janeiro do meu tempo descreve Bilhar como "bohemio desregradíssimo, mas, funcionário exemplar da Estrada de Ferro Central do Brasil".

Compositor de modinhas, lundus e polcas como a famosa Tira Poeira, o "velho Bilhar", como a ele se refere Alexandre Gonçalves Pinto, além de muito querido foi uma figura lendária no meio dos chorões.

Ernesto Nazareth dedicou o choro Tenebroso "ao bom e velho amigo Satyro Bilhar", destacando as "baixarias" do seu violão como um retrato de sua voz grave e rouca. Villa-Lobos afirmou que sua Bachiana n°1 "foi composta à maneira de Satyro Bilhar". Catulo lhe dedicou uma poesia: Tu Bilhar, boêmio eterno. Mestre Donga, em depoimento ao Museu da Imagem e do Som, se recorda: "[-] o som que ele tirava era bonito [-] Bilhar era extremamente musical e diferente dos outros. A harmonia dele era muito rica. Eu até fico maluco falando dele. Ele era engraçadíssimo, fora do comum. Era muito carinhoso. Entrava numa festa, ia direto para a cozinha, procurava a dona da casa e dizia-lhe: ’A senhora é o sol do Brasil’. O seu repertório se resumia a quatro músicas, mas como se desdobravam. Por exemplo: Tira Poeira ele tocava como choro, depois repetia o Tira Poeira como valsa. Ele mudava a harmonia. Dali a pouco tirava uns sons de harpa. E assim ele fazia o baile. Desenvolvia os temas. Com quatro músicas ele acabava com o baile".

Ernesto Nazareth (1863-1934)

Ernesto JÚlio de Nazareth nasceu no morro do Nheco (hoje morro do Pinto), na antiga Cidade Nova, no Rio de Janeiro. Pouco tempo depois sua família foi morar no Centro, perto da rua Frei Caneca. Por volta dos 10 anos de idade já tinha aprendido a solfejar com sua mãe e passou a ter aulas de piano com o professor Eduardo Madeira e mais tarde com Lucien Lambert.

Aos 14 anos Nazareth compôs a sua primeira polca-lundu, a que deu o título Você Bem Sabe, dedicada a seu pai. Em seguida lançou e editou várias outras composições, mas só em 1893, aos trinta anos de idade, tornou-se nacionalmente conhecido com o sucesso do seu tango Brejeiro, editado pela Casa Vieira Machado.

Aos 23 anos casou-se com Teodora Amália de Meireles, com quem teve quatro filhos. Deu aulas particulares, tocou em clubes e casas de família, foi pianista de salas de espera de cinemas, como o Cine Odeon (para o qual em 1910 compôs seu famoso tango Odeon) e foi contratado para fazer "demonstrações" das novidades musicais aos fregueses interessados em comprar partituras nas lojas de música. Trabalhou também, durante algum tempo, como escriturário do Tesouro Nacional.

O repertório que Nazareth tocava, além de composições de sua autoria, incluía peças de Chopin, Schumann, Liszt, Beethoven, Gottschalk, Chaminade, Artur Napoleão, entre outros. Nos últimos anos de sua vida fez concertos na capital e no interior paulistas e em várias cidades do sul do país, onde recebeu homenagens de seus admiradores.

Nazareth foi o compositor mais genial da história do choro. Foi considerado pelo compositor erudito, folclorista, e escritor paranaense Brasílio Itiberê (1896-1967) o autêntico precursor da música erudita de caráter nacional. Na música popular, ele foi o fixador do tango brasileiro. Itiberê conta que certa vez o folclorista Oscar Rocha perguntou a Nazareth como ele tinha chegado a compor os seus tangos com um caráter rítmico tão variado e tão inédito naquela época. Nazareth respondeu com simplicidade que ele ouvia muito as polcas e os lundus de Viriato, Callado, Paulino Sacramento e sentiu desejo de transpor para o piano a rítmica dessas polcas-lundus.

Brasílio Itiberê, em seu ensaio "Ernesto Nazareth na Música Brasileira" publicado em 1946 no Boletim Latino-Americano de Música, revela que foram os tangos de Nazareth que fizeram sua iniciação folclórica. O autor recorda como ficou fascinado quando encontrou o pianista tocando em frente ao velho cinema Olímpia na rua Visconde do Rio Branco. "Eu era menino, já andava estudando piano e tocando sem grande entusiasmo as primeiras sonatas de Mozart. Qualquer coisa de estranho me chamou atenção. Na sala de espera do cinema, um autêntico pianeiro carioca botava para o ar umas melodias tão novas que eu fiquei inteiramente fascinado. Quando o homem parou, notei que ele tinha um ar inspirado, usava bigodes à kaiser e ostentava um enorme solitário de vidro no dedo minguinho. Um piano de armário incrível, com dois castiçais de metal azinhavrado, enfeitado com cortinas furta-cor e o teclado tatuado e carcomido de pontas de cigarro. Mas daquela arataca velha, transformada em cinzeiro, surgiam melodias tão belas, ritmos tão ágeis - que me deixaram completamente basbaque. O pianeiro notou o meu entusiasmo de menino, convidou-me para tocar alguma coisa. Eu abanquei, e ali mesmo comecei a tirar de ouvido os primeiros tangos de Nazareth. Desde esse dia adquiri uma das mais ingênuas e louváveis convicções da minha vida: a da existência da música brasileira".

João Pernambuco (1883-1947)

João Teixeira Guimarães nasceu em Jatobá (PE) no dia 2 de novembro de 1883. Com mais ou menos 12 anos vai com a família para o Recife e começa ali a ter contato com violeiros famosos. Aos 13 anos já dominava o instrumento. Apesar de analfabeto, João Pernambuco foi mestre de cultura popular e de violão.

Aos vinte resolve partir para a capital federal, indo morar um tempo depois numa pensão na Rua do Riachuelo onde já residiam Donga e Pixinguinha e onde conhece Catulo da Paixão Cearense e Satyro Bilhar. Passa a freqüentar os festejos populares da época e a se apresentar em casas de pessoas famosas, principalmente ao lado de Catulo. Forma o Grupo do Caxangá por onde passariam todos os Oito Batutas, sendo ele mesmo Batuta numa formação posterior do grupo.

Com o Grupo Caxangá fez sucesso em todos os carnavais de 14 a 19, alcançando certa popularidade na época, depois esquecida. Só muito mais tarde seria reconhecido como co-autor de Luar do Sertão e Cabocla do Caxangá, temas folclóricos recolhidos por ele passados à história como obras de Catulo. João demorou a reclamar a autoria e Catulo se achava o único autor, já que havia feito novos versos para uma música folclórica.

O passar dos anos trouxe os problemas cardíacos e uma certa mágoa pelas injustiças sofridas. Em 16 de outubro de 1947, ao som de Luar do Sertão entoado por Pixinguinha, Donga e alguns amigos, é enterrado no Rio de Janeiro sem maiores homenagens.

Pixinguinha (1897-1973)

Alfredo da Rocha Vianna nasceu a 23 de abril de 1897 (não 1898, como foi divulgado) na Piedade, subúrbio carioca. Seu pai, músico amador, conviveu com os maiores músicos da época. Pixinguinha cresceu nesse ambiente e já em 1912 profissionalizou-se participando de diversos grupos.

Fundador dos Oito Batutas, compositor, arranjador, regente, cantor, orquestrador, considerado mesmo o pai da orquestração brasileira, Pixinguinha foi o maior flautista brasileiro de todos os tempos e, quando trocou a flauta pelo saxofone e passou a improvisar, desta vez como acompanhador, criando um contraponto tão requintado e sofisticado que muitas vezes supera a melodia executada pelo solista. Segundo Brasílio Itiberê, o contraponto feito por Pixinguinha é "um dos elementos mais complexos e de maiores consequências estéticas que existe na música brasileira".

No dia 17 de fevereiro de 1973, Pixinguinha faleceu na Igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema. Ary Vasconcellos escreveu no seu Panorama da Música Popular Brasileira: "Se você tem 15 volumes para falar de toda a música popular brasileira, fique certo de que é pouco. Mas se dispõe apenas do espaço de uma palavra, nem tudo está perdido. Escreva depressa: Pixinguinha".

Luís Americano (1900-1960)

Luís Americano do Rego, nasceu em 27 de fevereiro de 1900, em Aracaju (SE). Recebeu as primeiras lições musicais do pai, mestre de banda na capital. Luís ingressou no exército e tocou clarinete na banda militar em sua cidade, depois em Maceió e no Rio de Janeiro, lugares para onde foi transferido.

Um dos pioneiros da Rádio Sociedade (a primeira do Brasil), realiza no início da década de 20, como compositor e solista, suas primeiras gravações na Odeon para a Casa Edson. Entre 28 e 31 mora na Argentina. Volta ao país e integra várias orquestras e a partir de 32 o grupo da ’Velha Guarda’, formando por Pixinguinha, Donga, João da Bahiana e outros craques.

É de seu instrumento o som da maioria dos discos de Carmem Miranda, Francisco Alves, Orlando Silva, entre outros. Participa em 40 da famosa gravação realizada pelo maestro Leoplodo Stokowski no navio Uruguai, ancorado em águas cariocas. Stokowski contou com a ajuda de Villa Lobos e Donga para reunir vários artistas populares do Rio em duas noites memoráveis para a música brasileira. Infelizmente nem metade das gravações feitas foram aproveitadas no trabalho final (editado no Brasil pelo Museu Villa-Lobos em 1987). De Luis Americano apenas o sensacional Tocando pra Você aparece no disco.

Dentre suas composições destacam-se É do que há, Lágrimas de Virgem e Numa Seresta, este talvez o seu choro mais conhecido. De 30 a 50 foi músico de estúdio da Rádio Mayrink Veiga e de 50 até a sua morte da Rádio Nacional. Faleceu em 29 de março de 1960, em sua casa, no subúrbio carioca de Brás de Pina.

Benedito Lacerda (1903-1958)

Benedito Lacerda nasceu em Macaé, estado do Rio, a 14 de março de 1903. Aos 17 anos transferiu-se para o Rio já com algumas noções básicas de música, aprofundando-se nas lições de flauta com Belarmino de Souza, pai do compositor Ciro de Souza. Morava no Estácio, berço de bambas, e em 1922 entrou para a Polícia Militar, onde poderia continuar exercendo a música nas bandas dos batalhões.

Tornou-se solista e deu baixa em 1927, integrando no ano seguinte o grupo regional Boêmios da Cidade. Depois de tocar em algumas orquestras de Jazz, resolveu organizar um grupo realmente fiel ao ritmo brasileiro, que foi batizado por Sinhô como Gente do Morro. O grupo durou pouco, mas foi o embrião de um regional que fez escola, mais caracterizado pelos efeitos dos instrumentos de sopro e de corda que dos de percussão: era o Conjunto Regional Benedito Lacerda.

Não podemos deixar de comentar a famosa dupla que formou com Pixinguinha no início da década de 40. Conta-se que Benedito teria pago a hipoteca da casa de Pixinguinha e este, em sinal de gratidão, o teria transformado em parceiro de pérolas como Sofres por que queres, Naquele tempo e 1x0 (esta feita muito antes por ocasião do gol de Friedenreich no Sul-americano de 1919). Mas o que importa é destacar os arranjos e contrapontos executados pela dupla, que revolucionaram a instrumentação brasileira e influenciaram até hoje os novos talentos musicais. Morreu no Rio de Janeiro, no dia 16 de fevereiro de 1958, antes de completar 55 anos.

Luperce Miranda (1904-1977)

Luperce Bezerra Pessoa de Miranda nasceu a 28 de setembro de 1904, no bairro dos Afogados, em Recife (PE). Aprendeu a tocar com o pai e os irmãos, todos músicos, e virou um craque em todos os instrumentos de corda, do cavaquinho ao violino, passando pela ’raquete-sonora’ (existe tal instrumento), chegando mesmo a tocar piano "de forma singular", segundo Lúcio Rangel).

Fundou em Recife o conjunto Turunas da Mauricéa que veio pro Rio em 1927 sem ele, que só chegou por aqui alguns meses depois. A formação que estreou no Rio era: Augusto Calheiros, o cego Manuel de Lima, João Frazão e dois irmãos de Luperce, João e Romualdo.

O êxito do grupo foi enorme, sendo deles o maior sucesso do carnaval de 1928, a embolada Pinião, de autoria de Luperce. A seguir traz de sua terra outro grupo, o Voz do Sertão, composto por ele e mais Jayme Florence (o legendário Meira), José Ferreira, Robson Florense e Minona Carneiro, célebre cantor de emboladas. Lúcio Rangel afirma que foi Luperce quem ensinou os primeiros rudimentos de música a Jacob, mais tarde o maior dos mestres do instrumento.

Tempos depois funda outro conjunto, com seu próprio nome, junto com o violonista Artur Nascimento, mais conhecido como Tute e inventor do violão de sete cordas, que mais tarde viria a ser desenvolvido por Dino 7 Cordas. A partir daí seu nome tornou-se conhecido no Brasil inteiro. Compôs mais de 500 músicas e participou de mais de 700 gravações. São seus os solos de bandolim ou cavaquinho em muitas das mais populares interpretações da música popular brasileira, como em Até amanhã, de Noel por João Petra de Barros, Cabide de Molambo, de João da Bahiana por Patrício Teixeira e No tabuleiro da baiana, de Ary Barroso, gravada por Carmem Miranda e Luiz Barbosa. Morreu no Rio de Janeiro no dia 5 de abril de 1977.

Radamés Gnattali (1906-1988)

Radamés Gnattali nasceu em Porto Alegre (RS) a 27 de janeiro de 1906. Aos 6 anos começa a estudar piano e depois violino. Começou a se interessar por modinhas e canções populares e antes dos 15 já dominava também o cavaquinho e violão. Ingressou no Instituto de Belas Artes de sua cidade e foi aluno de Guilherme Fontainha.

É mais ou menos nessa época que começa a tocar em cinemas e orquestras de dança, atividades fundamentais na sua formação como músico popular. Radamés conseguiu algo que em seu tempo parecia impossível: conciliar a música erudita com a do povo. Mais tarde ele e Pixinguinha seriam os responsáveis pela orquestração de grande parte da nossa produção musical.

Em 1924 forma-se no Belas Artes e passa alguns anos entre Porto Alegre e Rio, vindo depois definitivamente para a então capital federal. Suas primeiras composições gravadas foram os choros Espritado e Urbano, em 1932, com o pseudônimo de Vero, que iria adotar para as composições populares.

Inovou ao adicionar saxofones e flautas no acompanhamento de músicas de carnaval, fez trilhas para cinema, tocou na Europa e foi o maior influenciador da nova geração de chorões. Já depois dos 70 anos, substitui a orquestra por uma formação regional tradicional de choro na sua suíte Retratos. Foi o fundador da inesquecível Camerata Carioca. Empolga-se e grava vários discos, com a divina Elizeth Cardoso, o gênio do violão Raphael Rabello e outros. Sofre o primeiro derrame em 1986. Volta a tocar, passa um ano muito doente, de cama, até morrer, no dia 3 de fevereiro de 1988, aos 82 anos.

Abel Ferreira (1915-1980)

Conta-se em Coromandel, cidade mineira onde a 15 de fevereiro de 1915 nasceu Abel Ferreira, que ele aos dois anos já engatinhava para ver a banda local e que um pouco mais tarde já distinguia um tom menor do maior. O fato é que Abel trouxe a música dentro de si e dela nunca se separou. Nem de seu instrumento, o clarinete, que carregava para todo lado, lembrando os tempos de moleque em que desmontava peça por peça para tê-lo sempre nos bolsos.

Aos doze estreou na banda de sua cidade e mais tarde começou a se destacar nas orquestras que tocava, sendo notado certa vez por Carmem Miranda num show em Poços de Caldas. Tendo passado por Belo Horizonte e Uberaba, foi aconselhado depois pelo maestro Gaó a seguir para São Paulo, onde conseguiu finalmente se profissionalizar.

Gravou seu primeiro choro, Chorando Baixinho, em 1942. No ano seguinte foi para o Rio tocar nos Cassinos e nas rádios. Fez duetos memoráveis com Zé da Velha e com Pixinguinha, com quem gravou Ingênuo em 1958. Nas contas do próprio Abel, compôs mais de cinqüenta músicas, entre elas Acariciando, Luar de Coromandel e Chorinho do Suvaco de Cobra.

Viajou o mundo todo e até seus últimos anos de vida continuou soprando o instrumento, em shows com Copinha e Raul de Barros. Morreu no Rio de Janeiro (RJ) no dia 12 de abril de 1980.

Garoto (1915-1955)

Anibal Augusto Sardinha, o Garoto, nasceu a 28 de junho de 1915, em São Paulo. Desde criança manteve contato muito estreito com a música, já que pai e um dos irmãos tocavam vários instrumentos de cordas. Sua carreira começa quando quando ganha um banjo do seu irmão Batista e passa a ser chamado ’o moleque do banjo’ ou ’o garoto do banjo’.

Em 1930 grava o primeiro disco como solista, tocando duas músicas de sua autoria - Bichinho de Queijo, um maxixe-choro, e Driblando, maxixe, acompanhado pelo violonista Serelepe. Em 1939 embarca para os Estados Unidos ao lado de Carmem Miranda e Bando da Lua. Sua atuação como solista é tão impressionante que ele torna-se um sucesso à parte nos shows, onde comparecem para assistí-lo todos os grandes nomes da música americana da época, como Duke Ellington e Art Tatum.

Em 1952, forma com Fafá Lemos e Chiquinho do Acordeon o Trio Surdina, que lança em 1953 o primeiro disco, com a gravação original de Duas Contas - letra e música de Garoto - na voz e no violino Fafá Lemos. No mesmo ano Radamés Gnattali dedica a ele o Concertino número 2 para Violão e Orquestra de Câmara. E, assim, é pelas mãos de Garoto que o violão entra pela primeira vez no Teatro Municipal.

Foi um grande inovador, revolucionando não só a técnica de execução como também a composição e abordagem de repertório. Sua contribuição para o desenvolvimento da música brasileira é inestimável. Garoto faleceu no Rio de Janeiro a 3 de maio de 1955, com apenas 39 anos.

Jacob do Bandolim (1918-1968)

Nascido em 14 de fevereiro de 1918, na cidade do Rio de Janeiro, Jacob Pick Bittencourt teve como primeiro instrumento um violino. Achando desnecessário o arco, dedilhava algumas valsas usando por palheta os grampos de cabelo de sua mãe. Uma amiga desta o apresentou ao bandolim e foi tamanha identificação que depois incorporou ao seu o nome do instrumento.

Em meados da década de 30 está na Rádio Guanabara acompanhando os grandes nomes da época. Noel Rosa inclusive. Apesar disso, Jacob do Bandolim continuaria mantendo vínculos com outras ocupações, exercendo várias atividades até ser nomeado, por concurso, escrevente juramentado do Distrito Federal.

Insatisfeito com a condição de mero acompanhante, grava em 1947 seu choro Treme Treme, reafirmando o que Luperce Miranda já havia mostrado: que o bandolim também podia ser um ótimo instrumento solo. Seu primeiro sucesso como bandolinista foi Flamengo - choro de Bonfiglio de Oliveira que alguns vascaínos insistem em dizer que é uma homenagem ao bairro, não ao clube. Compôs, entre tantas, Vibrações e Doce de Coco.

Além de todo seu valor como instrumentista foi um pesquisador incansável, possuidor de um dos maiores acervos musicais particulares, incorporado ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. Atualmente este acervo está sendo digitalizado pelos músicos Sérgio Prata e Pedro Aragão. Faleceu em 1969, no dia 13 de agosto de ataque cardíaco, meses depois do show antológico que fez com Elizeth Cardoso e o Zimbo Trio, no Teatro João Caetano, em 1968.

Raphael Rabello (1962-1995)

Uma definição de Raphael Rabello em especial salta aos olhos: "A música não era meio de vida. Era sua própria vida". Foi escrita pela irmã, a cavaquinista Luciana Rabello, para uma exposição do artista no Museu da Imagem e do Som (MIS). No mesmo texto, ela atesta: "Rafael redimensionou o próprio choro e, sobretudo, o seu instrumento, cumprindo a missão a que disse ter se proposto, de dar ao violão o seu lugar merecido".

O menino Raphael (que mais tarde adotaria o "f" no lugar do "ph" para simplificar a grafia do nome) nasceu em 31 de outubro de 1962, em Petrópolis. Era o caçula de uma família de nove filhos e ouviu os primeiros choros na companhia do avô materno, José Queiroz Baptista. A herança musical veio dos dois lados: o avô paterno Flaviano Rabello também era violonista.

José Queiróz iniciou todos os netos no universo da música. Além de ensinar violão a quem interessasse, ele ensaiava com as netas o repertório do folclore nordestino e chegou a criar um grande coral com a ala feminina da casa. Numa dessas reuniões, observando o pequeno Rafael, o avô profetizou: "Esse menino vai ser um grande músico".

Mais tarde, após o falecimento do avô em plena bossa-nova, Rafael começou a tirar de ouvido, no violão, composições de Tom Jobim, Luiz Bonfá e outros artistas da época. Não demorou muito e ele já estava solando com a desenvoltura característica dos gênios o choro Brejeiro, de Ernesto Nazareth.

Os carioquinhas - Rafael chamou Luciana e alguns amigos para fundar um conjunto de choro. Foi assim, dessa maneira informal, que surgiram "Os carioquinhas", um dos principais grupos do gênero de todos os tempos. Na ocasião, todos os integrantes eram jovens, mas tocavam como "gente grande". Foi nesse período que Rafael descobriu o violão de sete cordas, implantado no país por Horondino Silva, o Dino Sete Cordas, até hoje violonista do Época de Ouro. Um único disco do conjunto ficou para contar história, Os carioquinhas no choro, lançado pela Som Livre.

Um ano depois de desfeito o grupo (em 1979), Rafael formou com o bandolinista Joel Nascimento a Camerata Carioca (que na verdade mantinha a base do conjunto anterior, acrescida do violonista Luiz Otavio Braga, que veio a ser substituído em seguida por João Pedro Borges). O conjunto nasceu despretenciosamente com a finalidade de acompanhar Joel na execução do concerto Retratos, de Radamés Gnattali, e também entrou para a história da música brasileira.

No final da década de 70, Rafael Rabello passou a gravar com vários nomes da música brasileira até fazer sua estréia solo, em 1981 (Raphael Sete Cordas, pela Polygram). Gravou um disco com Dino, lançado pela Kuarup em 1991. Tocou em países como Itália, França, Portugal, Argentina, Chile, México e Estados Unidos. Entre tantas viagens, conquistou a admiração de músicos da importância de Michel Legrand, Paco de Lucia e Jean Pierre Rampall.

Em 1994, Rafael decidiu morar nos Estados Unidos, estimulado pelo violonista Laurindo de Almeida. Fiel às suas origens, ele repetiu na própria vida um ensinamento do maestro Villa-Lobos: chegou à universalidade preservando a música brasileira. Um dos projetos mais importantes do violonista dá frutos até hoje - a Fundação Escola de Choro, em Brasília, rebatizada Escola de Choro Raphael Rabello depois de sua morte, em 27 de abril de 1995.

Mini-biografias de alguns chorões, escritas pela violonista Anna Paes, pelo pesquisador Rodrigo Ferrari e pela jornalista Monica Ramalho.

23 de abril

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[18/ABR/2002]

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