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Pearl Jam e platéia: casamento perfeito


Daniel Ramalho
Apoteose

O público era um só corpo sonoro no show do Pearl Jam

RIO - Um casamento perfeito. Entre o Pearl Jam e a platéia. Assim foi o show da Apoteose que lavou a alma do público em uma apresentação histórica do grupo em terra carioca. Quem vai esquecer aquela integração quase sexual que rolava dos fãs para o palco e vice-versa?

Cerca de 40 mil pessoas eram só olhos, corpo e voz para a banda de Seattle (EUA) em uma energia que podia ser sentida do lado de fora do espaço e não deixou a dever em nada. Ao contrário do Claro que é Rock, os organizadores do 'evento Pearl Jam' não tiraram por baixo. Ou seja, deu certo.

Escalado para preparar o clima de vibração, o grupo Mudhoney abriu pontualmente às 19h30, enquanto centenas de pessoas ainda entravam pelas roletas em filas quilométricas, num indisfarçável e completo estado de ansiedade e euforia. Dois adolescentes mais exaltados tentavam entrar, em vão, pelo portão 11, gritando: "Vim para ver o Mudhoney também! Quero entrar! Quero entrar!"

Paciência. Chegasse cedo.

Histerias à parte, os integrantes do Mudhoney mandaram seu recado de forma a não suscitar dúvidas de que beberam da mesma fonte do Nirvana e do Pearl Jam. Na Apoteose, ecoaram guitarras distorcidas no som que mistura rock e punk em exatos 40 minutos.

Mas a galera que há 15 anos aguardava para ver o Pearl Jam só se fez um único corpo sonoro quando, às 20h50, ouviu o primeiro acorde do grupo, após o apagar das luzes. Era o momento: Um grito tribal subiu do chão e das arquibancadas. Lindo.

Já na segunda música, Do the Evolution, a platéia vibra e canta junto, num delírio que se repete na terceira, na quarta...

Às 21h40, o vocalista Ed Vedder pergunta em português suado: "As Escolas de Samba desfilam aqui?" Para logo em seguida afirmar: "Hoje o rock vai desfilar". Minutos antes já havia dito gentilmente em nossa difícil língua: "É a última noite no Brasil. Vamos tentar fazer a melhor".

A performance do grupo termina por volta das 22h, com urros de bis vindos da platéia. Mas obviamente, não era o fim. Os rapazes de Seattle não se atreveriam a partir de vez sem tocar Alive, Jeremy e Black. É que a cereja estava reservada para o final, num bis que se alongou por mais ou menos uma hora.

Com os fãs, além da apresentação inesquecível, ficou também o recado emocional e otimista de Vedder de que, ao voltar ao Brasil, o mundo será melhor porque não terá mais Bush como presidente dos Estados Unidos.

A gente espera, Vedder. A gente espera.

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[05/DEZ/2005]


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