A ligação de Radamés Gnattali com a música vem de berço. Filho do imigrante italiano Alessandro Gnattali, pianista e professor de música, recebeu o nome de um personagem da ópera de Verdi. Teve as primeiras lições musicais com a mãe, a pianista Adélia Fossati Gnattali, aperfeiçoadas aos 14 anos quando ingressou na Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul.
Na década de 30, Radamés mudou-se para o Rio de Janeiro, para trabalhar como orquestrador e músico da gravadora Victor e regente da orquestra da Rádio Nacional. Durante a era de ouro do rádio brasileiro, criou arranjos antológicos, como Lábios que beijei (1937) e Aquarela do Brasil (1939).
Nos anos 60, excursionou pela Europa com o Sexteto Radamés Gnattali, formado por ele, a irmã Aída (piano), Chiquinho do Acordeom e Luciano Perrone (percussão), entre outros. Em 1963, ingressou na TV, primeiro na extinta Excelsior e depois, na Rede Globo. Trabalhou na emissora até 1986, quando sofreu um derrame que deixaria algumas sequelas.
Em 1979, Radamés foi apresentado pelo bandolinista Joel Nascimento ao grupo de músicos com o qual formaria a Camerata Carioca. O conjunto gravou cinco discos até 1984, entre eles o antológico Tocar (1983), com a participação do maestro ao cravo.
"Um grande momento da minha carreira foi ter formado a Camerata Carioca junto ao Radamés. Lembro dele nervoso, antes de uma apresentação em Curitiba. A Camerata lhe devolveu a emoção da estréia", conta orgulhoso Joel Nascimento.