Felizes com os elogios de fãs, crítica e artistas, os Los Hermanos apresentam o show do novo disco, no Canecão
Sem medo da parcialidade, pode-se dizer que os curtos seis anos de vida dos Los Hermanos lhes garantiram o posto de melhor grupo do rock brasileiro dos últimos tempos. É a opinião provavelmente unânime dos críticos de música e também a de nomes da música nacional - de Marina Lima, a Dado Villa-Lobos e Frejat -, isso sem falar nos fanáticos que cantam nos shows todas as canções de seus discos de cabo a rabo, muito diferentes dos fãs que saem de casa para conferir os hits da carreira de um determinado cantor.
A banda dos meninos da PUC do Rio volta a tocar em sua cidade natal, apresentando o show de lançamento de Ventura, nesta quinta-feira, com repeteco na sexta, no Canecão. O guitarrista e principal vocalista e letrista do grupo, Marcelo Camelo, parece vacinado do reconhecimento que eles vêm adquirindo.
"No começo, éramos os queridinhos do underground e, depois do sucesso estrondoso de Anna Júlia, viramos a banda mais odiada do planeta. Aprendemos a ficar alheios a isso tudo e não sei se existe um valor maior se a apreciação vem de alguém que é artista. Simplesmente gostamos de emocionar as pessoas", analisa, com tranquilidade.
E emocionam. Depois de Anna Júlia, do primeiro CD que leva apenas o nome do conjunto, ganharam a fama de autores de músicas difíceis e pouco radiofônicas, com o segundo disco, Bloco do eu sozinho (2001). Sua própria gravadora, a Abril Music, não levou fé no trabalho e como resultado venderam somente quase 30 mil cópias deste elogiadíssimo disco.
Agora de casa nova, na BMG, eles emplacaram nas rádios Cara estranho, primeira música de trabalho de Ventura, que já vendeu quase o mesmo número de discos que o anterior, em apenas três meses. As novas músicas - entre elas Último romance, Samba a dois, Conversa de botas batidas e De onde vem a calma, todas presentes no show - flertam com a MPB em arranjos inusitados e têm agradado aos fãs:
"Ficamos assustados com a relação que as pessoas têm conosco. Todo mundo canta nossas canções do começo ao fim sem muitas predileções. Não sei se é porque ficamos um pouco longe da rádio e eles acabam conhecendo o disco como um todo", opina o vocalista, que já está na estrada há duas semanas com a nova turnê.
No palco, a sonoridade do disco não sofrerá muitas alterações, mantendo o naipe de metais, ainda mais se for concretizada a participação de Kassin no baixo, produtor de Ventura. As poucas mudanças se devem também ao fato de que a transposição das músicas deste CD para o show é mais simples do que foi em Bloco do eu sozinho.
"Em Ventura deixamos as canções fluir, os arranjos jogam a favor delas, são mais objetivos. Bloco era mais florido e rococó, porque pela primeira vez pudemos pensar nos arranjos e na liberdade de poder chamar alguém para tocar oboé, por exemplo. Agora já tínhamos passado por esse barroquismo", analisa.
Trata-se de uma filosofia de trabalho mais afinada com o que a banda quer passar em seu trabalho, diz Camelo: "Nosso exercício de fazer música passa muito em buscar a síntese de um sentimento, sua essência. A linguagem é um caminho, e não um efeito, e dificilmente fazemos da estética algo mais forte do que o que queremos dizer", aponta.
Show dos Los Hermanos - Canecão, Av. Venceslau Brás, 215, Botafogo (2543-1241). Quinta-feira e sexta-feira, às 21h30. R$ 35 (frisa), R$ 30 (balcão nobre), R$ 25 (poltronas numeradas) e R$ 20 (pista).