Em entrevista ao
JB Online, o baterista do Paralamas do Sucesso, João Barone, contou detalhes sobre o iluminado momento que vive a banda. Com a agenda lotada de shows da turnê do elogiado disco
Longo caminho, o grupo tem percorrido todo o Brasil e reecontrado os fãs. Além disso, os shows serviram também para agir diretamente na recuperação de Herbet Vianna. Segundo Barone, o vocalista e guitarrista tem apresentado seguidas melhoras nas últimas avaliações médicas e já pensa até em um novo disco, levando para cima e para baixo seu violão, onde arrisca novas composições.
Qual a diferença entre este show em Copacabana e o feito no ATL Hall, no final de janeiro passado?
A diferença é que neste show teremos a presença de convidados. Com o Dado-Villa Lobos deveremos tocar Que país é este?, do Legião, que já vinhamos tocando, e Soldado da paz. Com o Frejat tocaremos Caleidoscópio e outra que ainda não sei, que pode ser alguma do Barão Vermelho. Com o Andreas Kisser tocaremos Selvagem e uma segunda, mas não sei se vamos estar aptos a tocar algo do Seputura!(risos)
Desta vez o público também deverá ser bem maior...
- É como jogar em casa para torcida, com Maracanã lotado! Já tocamos nesta turnê, que começou em novembro, para 40 mil pessoas, no Festival de Verão de Salvador, e para 50 mil num show no litoral gaúcho. Mas possivelmente este show em Copacabana terá ainda mais fãs, perto de 60 mil.
E qual a importância das apresentações para a recuperação de Herbert Vianna?
- Os shows têm sido um remédio fantástico, o melhor que ele poderia estar usando. A injeção de ânimo que ele recebe não tem preço.
Mas no dia-a-dia dá para perceber sinais claros desta evolução?
- Dá para ver na prática, a recuperação está evidente. A evolução tem sido incrível e a cada avaliação neurológica seu estado avança. Seu déficit de memória recente está melhorando bastante. Mas o fato dele não estar dando entrevistas é porque não se lembra, por exemplo, como foi a gravação do disco. Mas há exemplos claros de recuperação, como o fato dele lembrar do nome do meu filho, Vicente, que nasceu em janeiro, e sempre pergunta por ele.
Você acredita que ele um dia poderá voltar a andar?
- Não há garantia se ele vai voltar a andar ou não. Mas isso é um mero detalhe, o que importa é ele estar bom, tocando e cantando novamente.
E como tem sido o reencontro com os fãs, depois de todo esse sofrimento?
- É super legal. Tem uma carga de emoção muito grande e dá pra ver como as pessoas estão felizes com a volta da banda e do Herbert. A gente se sente super bem de dar essa alegria para os fãs, ao mesmo tempo que recebemos muito deles.
O Herbert já voltou a compor? Há alguma previsão para um novo disco do Paralamas?
- Dentro desse processo de retomada ele já está compondo e exercitando isso novamente, mas por agora ainda estamos mergulhados nos shows. Num cenário bastante otimista e realista podemos dizer que lançaremos um disco daqui há um ano e meio. Mas não precisamos botar um prazo para isso e tudo vai acontecer naturalmente.
Como tem sido o processo de composição de Herbert?
- O Herbert está muito metódico quanto a isso. Ele anda sempre com uma agenda onde anota idéias, usa também um gravador e está sempre com violão do lado, seja em quartos de hotel ou onde for. Ele está muito empenhado nisso. Antigamente, o Herbert era sempre o primeiro a ficar ansioso, já pensando no próximo disco e esta essência dele continua a mesma. (J.B.C.)