O 'lunário perpétuo' de Antonio Nóbrega

Lançando disco em comemoração a 30 anos de carreira, o menestrel pernambucano faz temporada relâmpago no Rio

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Folgazão-rabequeiro, dançador e cantor-brincante: este é Antonio Nóbrega

"Folgazão-rabequeiro, dançador e cantor-brincante reconhecido". Estas credenciais, estampadas na capa do novíssimo Lunário perpétuo (Brincante, distribuído pela Trama), identificam Antonio Nóbrega, 50 anos, que está lançando o álbum em comemoração às três décadas de carreira. "Eu me dei de presente esse disco, que não está preso a nenhum tema específico, mas recheado de assuntos que me interessam", explica o menestrel pernambucano, exímio violinista (foi aluno do espanhol Luís Soler na infância em Recife) e bandolinista. "Também me arrisco no violão, na viola e no pandeiro, mais como atrevido do que como músico", avisa, com modéstia.

O bom gosto do álbum pode ser percebido desde o encarte, assinado pela designer Moema Cavalcanti, e permeia a seleção de repertório, feita pessoalmente pelo titular da obra. Em apenas 15 faixas, Nóbrega é capaz de resumir as principais tendências que seguiu ao longo de todos esses anos. Ele também surpreende por passear com competência singular pelas vertentes do cancioneiro popular. No roteiro de Lunário perpétuo há uma polca, Canjiquinha, do paraibano Lourival Oliveira (autor da célebre coleção de frevos dedicados aos cangaceiros do bando de Lampião), um choro, Pagão, de Pixinguinha (lindíssimo e pouco executado nas rodas) e uma toada popular, Excelência, cuja letra foi recriada pelo dramaturgo Ariano Suassuna.

O dramaturgo comparece em outras três faixas, musicadas por Nóbrega: Romance da filha do imperador e Romance da Nau Catarineira, retiradas do livro ’A pedra do reino’, e A morte do touro Mão de Pau, encontrada em uma coletânea antiga, publicada pela José Olympio Editora. Já a faixa-título é um folguedo de cavalo-marinho, que celebra as longas parcerias com Bráulio Tavares e Wilson Freire. Carrossel do destino, com letra de Bráulio, aparece como ciranda na voz do rabequeiro. Há, entre outras canções, uma marcha-de-bloco, Delírio, de Antonio José Madureira e Marcelo Varella, e dois frevos clássicos: Luzia no frevo, de Antonio Sapateiro, bastante regravado, e Lágrimas de um folião, de Levino Ferreira, o maior compositor de frevos de todos os tempos.

DivulgaçãoO nome do disco homenageia um livrinho pequeno e grosso que nos últimos dois séculos e meio foi, segundo o folclorista Câmara Cascudo, um dos mais lidos nos sertões do Nordeste. "Era uma das principais fontes de referências e conhecimentos dos poetas populares para suas cantorias e poesias. O Lunário trazia um pouco de tudo: astrologia, horóscopo, receitas médicas, mitologia, calendários, conhecimentos agrícolas, conselhos de veterinária...", escreve Nóbrega no texto de apresentação do álbum. Ele diz, ainda, que todas as músicas e danças que aprendeu nesses trinta anos são o seu próprio 'lunário perpétuo'.

Antes de aportar em Brasília e Recife, o espetáculo, patrocinado pela Philips do Brasil, fará uma temporada relâmpago no Rio de Janeiro entre os dias 9 e 11 de agosto (sexta e sábado às 20h, domingo às 17h), no Teatro Odylo Costa Filho, que fica no campus da UERJ. O endereço é rua São Francisco Xavier, 524, no Maracanã. Ingressos a R$ 15.

Antonio Nóbrega trará a banda completa para estas apresentações: Antonio Bombarda no acordeon, Daniel Allain e Eugênia Nóbrega nos sopros, Mario Gaiotto e Gabriel Almeida na percussão, Zezinho Pitoco nos sopros e na percussão e Edmilson Capeluppi nas cordas. Lunário perpétuo celebra o que há de mais bonito na sonoridade do Brasil.

mra@jb.com.br

[06/AGO/2002]

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