RIO - Habituadas com a cena underground, bandas independentes estão invadindo os grandes palcos consagrados pela música nacional e conquistando platéias. O cenário independente está cada vez mais visível. O espaço que gravadoras, promotores de shows e até o próprio público está cedendo a essa galera iniciante nunca foi mais aberto do que hoje. Estamos assistindo ao nascimento (e amadurecimento) de músicos acostumados com as garagens, como o pessoal do Leela, Dibob, Forfun, emo., Carbona, Mobtop e, agora, os caras do Ramirez.
O quarteto carioca, formado há mais de três anos e liderado por Thiago Pedalino (voz e guitarra), tem Frank Dias (baixo e voz), Rafael Cosme (guitarra e voz) e Matheus de Giacomo (bateria) tocando o som retrô do primeiro álbum homônimo, produzido pelo novo selo Performance Be Records e com lançamento previsto para os próximos dias.
- Demorou para sair, mas saiu - brinca Pedalino - A gente já tem uma bagagem de underground muito grande. Resolvemos gravar um demo mesmo com as onze músicas e mandamos para as gravadoras. Fomos aceitos e apenas regravamos o álbum e remasterizamos.
O novo disco carrega onze baladas românticas, mas sem deixar o rock de lado. Pedalino, que também é o letrista da banda e com algumas parcerias com o produtor Marcos Sketch, conta que sua inspiração sentimental provém das suas influências musicais.
- Sempre gostei muito dos Beatles. Quando estou escrevendo, percebo a influência. Gosto muito também do Weezer e de uma banda irlandesa, a Ash - diz Pedalino.
Apesar do hábito de escrever letras de músicas, Thiago Pedalino virou músico ao acaso. Morou em Caxambu, cidade no sul de Minas Gerais, durante seis anos, e estava prestes a se mudar para a capital e iniciar a faculdade de Psicologia. Foi quando conheceu os demais integrantes e resolveu montar a banda.
- Toco violão desde os onze anos. Meu pai, além de advogado, é músico. Ele me ensinou e me despertou para a música - explica.
Quando seu som é comparado ao dos Los Hermanos, o vocalista do Ramirez esclarece que as vertentes são bastante diferentes. Segundo Pedalino, o outro grupo carioca tem influências da MPB e da Bossa Nova, enquanto o Ramirez curte mais a Jovem Guarda.
- Gostamos dos Los Hermanos da mesma forma que Pato Fu ou CPM 22. Não chega a ser uma influência - completa.
Com festivais como o MADA (Música Alimento da Alma) - um dos mais importantes do Brasil, cuja sexta edição aconteceu em 2004, em Natal - na bagagem, a banda acredita que não vai ter grandes dificuldades hoje, na apresentação ao lado de Dibob e Forfun no Claro Hall, no Rio de Janeiro.
- Ultimamente, temos sido chamados para grandes shows. Acredito que seja o resultado de todo o nosso trabalho. Mas pra galera aqui, não existe tempo ruim. A gente toca onde quer que nos chamem, seja no Claro Hall, seja no barzinho em Niterói. Ninguém está deslumbrado com nada - assegura Pedalino.
Os Ramirez costumavam tocar na noite carioca e tinham carteirinha da boate Bunker, em Ipanema. Continuam tocando no Rio, mas a agenda anda lotada. Depois do show de hoje, eles se apresentam, sábado, na festa Sundae Tracks, na Casa da Matriz, em Botafogo, tocando o disco “Make believe” (2005) do Weezer. Depois, embarcam para Curitiba para se apresentarem com Fresno, emo., Darvin, Square, Self Defense e Dossiê, no dia 7.