O secretário municipal de urbanismo, Alfredo Sirkis, e produtora Maria Juçá, anunciaram hoje, oficialmente, a volta do palco que lançou a maior parte da geração do rock nacional nos anos 80. Ocupando o mesmo local onde funcionava quando foi fechado, em 1996, próximo aos Arcos da Lapa, o Circo Voador foi reformulado em um projeto arquitetônico que, segundo seus responsáveis, privilegia a segurança e a vedação acústica. O novo espaço teve sua capacidade reduzida pela metade, comportando agora cerca de 1, 2 mil pessoas próximas ao palco e mais 400 na área externa.
Para Sirkis, que amanhã passa definitivamente à Juçá a administração da nova lona, a volta do Circo Voador representa um final feliz para uma luta iniciada há oito anos, o local teve seu alvará caçado pelo então prefeito César Maia. A atitude foi uma reação à hostilidade com que Luiz Paulo Conde (na época candidato de César à prefeitura) foi recebido na antiga lona, quando resolveu comemorar sua vitória eleitoral no Circo, durante um show da banda de punk-rock Ratos de Porão. O secretário enalteceu a administração de César Maia, para qual trabalha, e aproveitou para alfinetar Conde, hoje adversário político do atual prefeito:
"Esse incidente foi uma lição para todos. O prefeito, que havia fechado o Circo, agora teve a grandeza de reconhecer seu erro e reabri-lo. Esse sempre foi um espaço irreverente, e quem está na política tem de estar preparado para tomar vaia. É preciso ter fair play", ironizou.
Sirkis preferiu não polemizar ao comentar outro assunto delicado, a tentativa de Perfeito Furtuna - que hoje coordena o espaço cultural vizinho, a Fundição Progresso - proibir o uso do nome "Circo Voador" para o novo espaço. Para o secretário, o produtor cultural e fundador do Circo nos anos 80, vai acabar voltandpo atrás e, ainda que conseguisse proibir na justiça o uso do título célebre, a população carioca não chamaria o espaço por outro nome.
Comemorando os patrocínios de empresas como Pepsi, Brahma e Wickbold, Maria Juçá enumerou os projetos sociais coordenados pelo Circo, entre eles cursos de línguas para a comunidade carente da Lapa e uma creche, com capacidade para 80 crianças. A produtora anunciou ainda que as novas bandas vão se apresentar após às atrações principais, em um horário no qual o ingresso será mais barato (R$ 8).
"Essa inversão é ideal para as bandas, que encerram seu show mais cedo, para parte do público que não quer ficar até tarde na rua, e para os jovens que querem ver os amigos tocando, e vão pagar um ingresso mais em conta", analisou Juçá.
A coletiva, realizada nas instalações do Circo Voador, terminou com a exibição de um vídeo contendo momentos históricos da lona, como antigos shows de Jorge Ben Jor, Tim Maia, Barão Vermelho (com Cazuza) e Caetano Veloso, Kid Abelha, Lobão, até momentos mais recentes, como apresentações do Planet Hemp e Nação Zumbi, antes do fechamento do espaço, em 1996.
O Circo Voador será reaberto no próximo dia 23, como show da banda gaúcha de heavy metal Krisiun. No dia seguinte, será realizada uma homenagem a Cazuza, com a presença de seus contemporâneos no rock dos anos 80, como Lobão, George Israel, Leoni, Arnaldo Brandão, entre outros. Estão previstos para o mês de agosto apresentações de Pitty e dos grupos pernambucanos Mombojó e Cordel do Fogo Encantado.