Cantora desfia obras-primas de Raphael Rabello hoje e amanhã no Teatro Clara Nunes
Nem faz tanto tempo assim que Amélia Rabello não pisa num palco. Ela cantou, em 1999, no show comemorativo pelos 50 anos do cunhado, o compositor Paulo César Pinheiro, em São Paulo. No espetáculo, defendeu as obras-primas
Sete cordas e
Camará, letras de Paulinho e músicas de Raphael Rabello. O público poderá conferir essas e outras criações da dupla esta noite, no Teatro Clara Nunes, onde Amélia lança o disco
Todas as canções, uma reunião das composições do irmão violonista. Das 18 faixas do álbum, 13 estão previstas no roteiro, incluindo as parcerias com Aldir Blanc.
"O show é uma homenagem ao meu irmão Raphael, assim como o disco foi feito em homenagem a ele, uma vez que fui esse tempo todo guardiã dessas músicas. Chegou a hora de abrir as janelas e mostrar ao mundo as composições deste grande gênio do violão", disse Amélia, no intervalo de um dos ensaios para as apresentações de hoje e amanhã, na Gávea, zona sul carioca. O ingresso custa R$ 15 e o álbum Todas as canções, lançado pela ótima Acari Records, estará à venda no local.
Na verdade, o show será duas vezes representativo: além de divulgar um lado quase desconhecido de Raphael, marca a volta de Amélia ao cenário musical. Desta vez, garantiu ela, em caráter definitivo. "Eu parei de cantar profissionalmente porque a morte dele fez tudo perder a graça. O aspecto musical da minha vida sempre esteve muito ligado ao Raphael", avaliou, numa espécie de desabafo com leveza. A leveza do tempo. Seis anos mais tarde, Amélia, que é da época em que as cantoras sabiam cantar, ganha fôlego para encarar a estrada outra vez.
Estrada mesmo, com poeira e tudo. Mesmo antes da estréia no Rio de Janeiro, o show Todas as canções já recebeu convites para rodar o Brasil e aterrissar na Alemanha. Brasília, São Paulo, Curitiba, João Pessoa, Recife e Salvador devem ser as próximas paradas de Amélia, que foi pega de surpresa pela repercussão do disco. Antes de seguir viagem, ou talvez entre as tantas viagens que estão sendo agendadas, Amélia Rabello deve cumprir uma temporada no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro. O convite também partiu da diretoria da casa.
A cantora de timbre raro e dicção perfeita chegou a cogitar um novo disco logo após o lançamento deste. Os planos, no entanto, terão de ser adiados. "Pensei em fazer ainda esse ano o segundo álbum depois da minha volta, mas não: vamos trabalhar bastante o Todas as canções. Até na Alemanha devo cantar novamente", comemorou. "Não tenho a ilusão de tocar essas músicas no rádio ou de cantar em programas da tevê, mas até onde estou sabendo os telefones do Clara Nunes não param de tocar", disse, entre sorrisos.
os músicos, convenhamos, formam um time para ganhar Copa do Mundo. Foram escalados pela cavaquinista e compositora Luciana Rabello, irmã de Amélia, Raphael e sócia de Mauricio Carrilho na Acari. Tem Rogério Caetano, que ensina violão na Escola de Choro Raphael Rabello, de Brasília (violão de sete cordas), Luís Flávio Alcofra (violão de seis cordas) e Dininho (baixo), Pedro Amorim (cavaquinho), Afonso Machado (bandolim), Marcelo Bernardes (flautas), Rui Alvim (clarinete e clarone) e Celsinho Silva (percussão).
Luciana ficou com a produção do espetáculo, Dininho, filho do legendário Dino Sete Cordas, importantíssimo à carreira de Raphael, cuidou da direção musical e Ney Matogrosso acumulou a direção geral e a iluminação. "Ney é muito sério no que se propõe e está empolgado com o show. O trabalho de Raphael continua surpreendendo-o", comentou Amélia. E se alguém ainda duvida do sucesso do espetáculo, Amélia está tranqüila: "O povo gosta, sim, do que é bonito e sofisticado. Tem alguma coisa mais sofisticada do que o simples?".