GENEBRA -
A internet é útil, mas não de todo segura, porque ninguém pode garantir em 100% a proteção da vida privada ou de direitos autorais, segundo o físico Robert Cailliau, considerado um dos pais da Rede. A Rede nasceu há 14 anos, em Genebra, para responder às necessidades do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), fruto da inventividade do britânico Tim Berners-Lee e de Robert Cailliau.
Ambos pensaram que poderia ser um instrumento útil para que os cientistas de todo o planeta compartilhassem o resultado de suas pesquisas, conectando-se à Rede. Segundo explicou Cailliau na abertura de um "festival cibernético" por ocasião da Cúpula da Sociedade da Informação, que começa amanhã em Genebra, "em geral, os usuários de internet confiam na Rede seus dados pessoais, que são armazenados em servidores cuja localização precisa é desconhecida".
"Quem pode garantir que essas informações privadas estão protegidas? Cada qual parte da hipótese de que os administradores da Rede são gente honesta", comenta Caillou, que se disse cético sobre a segurança da assinatura eletrônica. "Dizem que podemos confiar na pessoa que projetou o software cifrado, mas este poderia introduzir uma função capaz de transmitir uma série de dados a um serviço de informação sem que soubéssemos", diz o cientista.
Para Cailliau, só há duas respostas possíveis para tudo isso. A primeira seria o "ataque paranóico": assim, por exemplo, os pedófilos tentam evitar conectar-se com outros URL (identificadores de recursos no espaço de internet). "Por não existir vínculo algum, os mecanismos de busca como o Google não encontram nada. De forma que só há um círculo muito restrito de pessoas capazes de localizá-lo", acrescenta.
Só com uma operação policial física pode-se desmantelar uma rede desse tipo, afirma o cientista, segundo o qual pela mesma razão os Estados repressivos não poderão nunca evitar a expressão de uma dissidência pela internet. "Por isso não entendo a resistência dos Estados Unidos em deixar que seja uma agência da ONU que administre a rede em lugar da empresa (privada americana) ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers), com base na Califórnia", afirma.
Muitos países em desenvolvimento como Brasil, China, Índia e Argentina propõem que seja um organismo intergovernamental que se encarregue da Rede em benefício de uma maior transparência democrática.
Agência EFE