Da internet para o CD, em minutos

Empresa brasileira licencia tecnologia que facilita compra de músicas online e sua gravação em CD

Repórter do JB Online

Em minutos, as faixas guardadas num servidor distante da internet podem se tornar as do seu próximo CD. Uma nova tecnologia, já disponível no Brasil, promete simplificar o processo de comprar músicas na internet e gravá-las nos disquinhos.

A 'NetBurn', licenciada no país pelo selo Kviar, permite que o usuário escolha as músicas e baixe-as num único arquivo compactado, que carrega um software embutido para gravação de CD. Assim, ao executar o arquivo, o CD é 'queimado' automaticamente, sem a necessidade de um segundo programa para efetuar a gravação. E com um plus: o arquivo de gravação pesa apenas 1 MB a mais no pacote de músicas escolhido.

Depois do CD pronto, o arquivo inicial com as músicas e o programinha é apagado, para evitar a reprodução da coletânea em outros discos.

Durante o processo de escolha das faixas, o consumidor também escolhe uma de seis capas para imprimir e ilustrar o CD. Por enquanto, apenas usuários de Windows podem desfrutar da tecnologia. A empresa americana ImmediaTek, desenvolvedora do sistema, está providenciando versões para Mac e Linux.

Por enquanto, as músicas disponíveis para compra e download são de gravadoras independentes. "Os artistas que participam devem apenas optar online entre vender ou não o seu material. Não é preciso contrato de exclusividade com a gravadora", diz Alvaro de Castro, sócio fundador da Kviar. O plano da empresa é contar também com os selos maiores. "Estamos contactando os outros selos para licenciar os catálogos. Nossa meta é terminar com 150 mil faixas até o fim deste ano".

Para de Castro, a solução da Kviar resolve um problema comum a todas as outras vendas de música pela internet: achar que o público sabe ou quer saber como exportar a música do seu computador para um CD de áudio.

Na sua visão, o consumidor final encara a gravadora como uma entidade que rouba os próprios artistas por causa da venda dos discos a preços exorbitantes e que alimenta a lastimável indústria do 'jabá' - a cobrança das rádios para divulgar músicas. "Assim, o internautas não acham errado comprar um CD pirata ou baixar uma música no Kazaa", completa.

Para ganhar a confiança do consumidor, a empresa resolveu liberar as músicas antes, e cobrar depois, via boleto bancário. "É uma total mudança de paradigma. Porém, estamos seguros que o público terá todo interesse em pagar pelas faixas, pois perceberá que houve um voto de confiança nele, algo que infelizmente parece não haver por parte da indústria hoje", diz de Castro. Ele lembra o recente aviso da RIAA, associação que representa as grandes gravadoras dos EUA) a mais de 200 mil usuários do Kazaa, acusando-os de estarem 'roubando' música. "Ora, se é assim que você trata o teu cliente, que mais você pode esperar dele?", questiona.

Para o executivo, o domínio do comércio no mercado fonográfico pela internet é questão de tempo. De Castro observa que os donos das gravadoras sempre foram os criadores dos meios físicos: a Universal é originária do inventor do fonógrafo; a Ariola era da Philips, criadora do cassette; e a Sony Music é da Sony japonesa, criadora do CD.

"O conteúdo justifica o meio. Se eu crio um meio de conter informação, é bom eu arrumar dados para serem guardados, senão terei perdido tempo e dinheiro", explica de Castro. O mesmo acontecerá com o meio digital. No momento em que a internet é o futuro da música, o meio é o hard disk, o 'arquivo' do computador. "Por isso os rumores de que Apple, Intel e até a Microsoft estariam dispostas a comprar grandes gravadoras. Elas dominariam o meio e o conteúdo".

[06/MAI/2003]

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