Internet por satélite ainda é artigo de luxo

No mundo inteiro só existem dois países com acesso à internet por satélite e o Brasil está entre eles. Depois dos Estados Unidos, os brasileiros já estão começando a desfrutar desta tecnologia através da empresa Star One, braço de satélites da Embratel, e única no país. Atualmente, apenas parte da Amazônia não tem cobertura, mas o serviço deve chegar por lá até o final deste ano. No total, apenas o corresponde a 6% da população brasileira está sem a cobertura deste serviço.

O sistema é simples e as vantagens são consideráveis, principalmente porque consegue atender aos usuários que moram em locais onde não são atendidos por linhas terrestres (telefonia ou TV a cabo). Para transmitir e receber dados, o Star One Easyband utiliza uma antena externa e um modem, instalados na casa ou escritório do usuário, conectados ao computador.

A velocidade de 1 ou até 10 micros conectados e instalados no mesmo endereço pode chegar a até 500 kbps, fora dos horários de pico. Já nos horários de acesso mais intenso, a velocidade média é de 100 kbps. Para se ter uma idéia, o máximo que uma linha convencional pode oferecer para um usuário que usa sistema dial-up é 56Kbps.

Caso o local não tenha energia elétrica, um gerador ou um poderoso no break pode resolver o problema. E o consumo de energia elétrico é mínimo: o equipamento para a instalação do sistema - modem e a antena parabólica com 96 cm de diâmetro - gasta 25 kw/mês, o mesmo que uma lâmpada de 60 watts.

Desvantagem - Se o consumo é pouco, o barulho nem tanto. "Para o tipo de equipamento que é, o barulho incomoda bastante e o tamanho é quase que o de uma impressora doméstica", conta o usuário Marcelo Laruccia, que optou pelos serviços da Star One porque já estava acostumado com internet por banda larga. Onde Laruccia mora atualmente, acesso à internet só através de satélite ou por linha discada. "Além de já estar acostumado com a rapidez da conexão, preciso de velocidade porque lido com arquivos pesados", diz Laruccia, que tem uma produtora de animação". "Para fazer download é muito mais rápido", elogia o usuário, alertando, porém, que o sistema é um pouco deficiente quando se trata de upload.

Para os MacManíacos, um aviso: o sistema da internet por satélite só funciona a partir do MAC OS 9.2. "Tentei no 9.0 e não deu certo", informa Marcelo.

Custo - O preço do serviço ainda é bem salgado, principalmente para o usuário doméstico. A taxa de adesão custa R$ 1,199 mil e, depois disto, o usuário ainda paga uma mensalidade de aproximadamente R$ 199, além de outra para um provedor, neste caso o Universo Online (UOL), parceiro do projeto junto com a Star One. No sistema para home offices, a mensalidade é de R$ 399 para até 10 computadores ligados.

Segundo o presidente da empresa, Edson Soffiatti, o preço deve cair pela metade somente daqui a três anos. O que, para o executivo, é um processo normal: ele compara a chegada da web via satélite à implantação da telefonia móvel no país, há pouco mais de seis anos. No início, a linha e o aparelho de telefone celular eram artigos de luxo. "Atualmente, é difícil achar alguém que não tenha pelo menos um".

Cerca de 80% das instalações deste sistema de banda larga são para usuários domésticos. Os outros 20% somam profissionais liberais e internautas que trabalham em casa.

diamond@urbi.com.br

[07/ABR/2002]

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