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Empresário assume Venezuela e cotação do petróleo despenca
[12/ABR/2002]
O presidente da Venezuela Hugo Chávez renunciou, neste madrugada, após dezenas de altos oficiais militares contra a autoridade presidencial e em meio a greve geral que paralisou o país por três dias. Após ficar sob controle das Forças Armadas, o país passou a ter uma junta de governo presidida pelo líder empresarial Pedro Carmona. A crise no país e o temor da Opep que a Venezuela aumente sua produção de petróleo fez o preço despencar no mercado internacional.
O governo de transição, que procurou agradar, igualmente, os interesses da sociedade e da classe militar. Segundo Carmona, que é ligado ao setor petroleiro - base da economia venezuelana -, seu objetivo será conduzir o país até a realização de eleições livres.
’Foi decidida a formação imediata de um governo de transição, por consenso, tanto da sociedade civil venezuelana, quanto das forças armadas’, afirmou Carmona cercado por militares. O novo governo promete anunciar, nas próximas horas, a lista de nomes do primeiro escalão.
No final da noite de ontem, o clima no país já mostrava que a situação estava insustentável. Os confrontos entre opositores e partidários de Hugo Chávez deixaram 11 mortos, nas horas que antecederam a sua renúncia. De acordo com o diretor da Polícia Técnica Judicial, Miguel Dao, 95 pessoas ficaram feridas, a maior parte por disparos. Só o hospital José María Vargas, um dos mais conhecidos do centro da capital, caracas, prestou socorro a 54 feridos.
A violência explodiu quando milhares de opositores de Chávez marcharam nas imediações do palácio presidencial de Miraflores, para exigir a saída do então presidente.
Após uma reunião que teria entrado pela madrugada, Chávez teria se entregado aos generais Ismael Hurtado Soucre e Manuel Antonio Rosendo, no Palacio Miraflores, sede do Executivo venezuelano. Mesmo sem a confirmação oficial, que não foi dada naquele momento, os arredores do aeroporto militar de La Carlota e as ruas próximas ao Palácio foram cercadas por uma multidão que passou a noite comemorando.
O ex-presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está sob custódia do novo governo do país. Ele foi levado para o Forte Tiuna, a principal fortaleza militar de Caracas, onde ficará detido. Chávez está proibido de deixar o país antes de prestar contas dos incidentes violentos que ontem deixaram centenas de feridos, segundo o general venezuelano Luis Camacho Kairuz, ex-ministro da Segurança Cidadã.
Esse processo de transição enfrentado pela Venezuela está provocando reflexos nos outros países. A Espanha, por exemplo, líder da presidência rotativa da União Européia, enviou pedido à Venezuela, esta manhã, para que seus governantes e sua população evitem a violência e defendam as instituições democráticas.
A cotação mundial do petróleo despencou com a possibilidade de a Venezuela aumentar sua produção para gerar dinheiro. O barril, tipo Light, negociado na bolsa de Nova York, com entrega para junho está sendo vendido a US$ 23,70 (menos US$ 1,49). Já o Brent, referência no mercado londrino, é cotado a US$ 23,19 (menos US$ 1,44).
FH - O presidente Fernando Henrique Cardoso criticou o glope na Venezuela, dizendo que nenhum país da América Latina está contente com a situação política do país. Na sua opinião, de alguma maneira, está havendo uma quebra de constitucionalidade.
Apesar de destacar não saber detalhes sobre a deposição do presidente Hugo Chávez, FH enfatizou que "o continente é democrático, não aceita governo de força. Deve haver eleições já, para que se mantenha a liberdade de expressão e o respeito a organização da sociedade. "Não cabe a mim julgar a ação de um povo específico. É preciso que rapidamente se legitime a nova ordem", acrescentou.
Fernando Henrique disse ainda que os presidentes da América Latina estão reunidos na Costa Rica, no chamado Grupo do Rio. "Eu não pude me ausentar do Brasil, mas já dei orientações ao ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, para que converse sobre o assunto com os presidentes da região", concluiu.
Reação Mundial A União Européia (UE), China, Rússia, França, Itália e Portugal pediram hoje o pronto restabelecimento da democracia na Venezuela, depois da renúncia do presidente Hugo Chávez
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