A Cidade Seqüestrada

Editorial do Jornal do Brasil

O Rio amanheceu em poder dos delinqüentes. Às vésperas do carnaval, a Nação do Crime atacou em várias frentes, com poder de articulação jamais visto. Ônibus foram depredados e incendiados. Bombas explodiram obrigando o comércio a fechar as portas. A intimidação estendeu-se da Zona Oeste ao Leblon.

Este foi o terceiro seqüestro nos 438 anos de história da cidade. Em 1711, o corsário René Duguay-Trouin a sitiou e exigiu resgate em ouro. O segundo deu-se em setembro, quando a fábrica de ameaças do narcotráfico paralisou o Rio. Ontem, a cidade voltou a cair nas mãos dos bandidos. A tal ponto que a Nação do Crime proclamou a vitória num audacioso "comunicado oficial" à população.

Era o que faltava! É vergonhoso e é inaceitável conviver com "nota oficial" do Comando Vermelho. Diz o secretário de Segurança que os traficantes reagem à repressão. Mas ninguém acredita que a polícia esteja cumprindo o seu dever. O aparelho do Estado chega sempre atrasado. Faltam-lhe força, determinação e um sistema de inteligência que não faltam aos traficantes.

As prisões de segurança máxima mais parecem colônias de férias. Advogados servem de pombo-correio para os criminosos, diante do olhar complacente da OAB.

A governadora Rosinha Matheus, emparedada pelas crises política e financeira, recebe mais um duro golpe. Que será deste governo?

Brasília não pode permanecer alheia ao drama do Rio. A Polícia Federal aguarda ordens para agir. Que as receba imediatamente! E a Guarda Municipal, prefeito Cesar Maia? Até quando permanecerá de braços cruzados, restrita a apanhar de camelôs?

Nova York reduziu dramaticamente os índices de criminalidade com o programa de Tolerância Zero. O Rio está fazendo história com um programa de Segurança Zero.

Basta de inércia! Derrotar a Nação do Crime é obrigação elementar do Estado.

[25/FEV/2003]

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