A estrela alvinegra

Abraço dos dois melhores do mundo: Garrincha e Pelé

"Aqui dá de tudo, até aleijado!", exclamou o técnico do Botafogo, Gentil Cardoso, em 1953, antes de se convecer a dar uma chance a Garrincha. Quando faltavam apenas 10 minutos para o fim do treino, o treinador chamou o jogador e teve uma grata surpresa. No pequeno período em que esteve em campo Garrincha deu seu show particular com direito à bola entre as pernas de um dos mitos do futebol, Nílton Santos. Depois disso, foi contratado pelo clube alvinegro e estreou no dia 19 de julho, contra o Bonsucesso, fazendo três gols na goleada de 6 a 3.

A alegria e a ingenuidade eram características marcantes da personalidade de Garrincha, que nunca perdeu o jeito simples, deixando muitas vezes de ir aos treinos para participar das peladas em Pau Grande. Seus dribes criaram vários jargões futebolísticos usados até hoje. O "olé", gritado pelas torcidas, surgiu depois de Mané dar uma sequência de dribles no zagueiro argentino, Vairo, numa partida entre Botafogo e River Plate, em 1958, no México. Já a expressão "fazer fila", foi criada após o técnico do Vasco, Flávio Costa, armar um fracassado esquema para pará-lo, armando uma fila de marcadores, ou de Joãos, como Garrincha costumava qualificá-los.

Em sua época, o Botafogo viveu momentos aúreos de sua história, conquistando títulos estaduais em 1957, 1961, 1962 e Rio-São Paulo em 1962 e 1964. Foram 581 jogos com a camisa alvinegra e 232 gols. Porém, a partir de 1963 sua carreira começa a declinar, quando fica quatro meses sem jogar devido a um problema na renovação de seu contrato. Para piorar, em 1964, os malefícios do alcoolismo e a violência dos adversários passam a fazer efeito e um problema crônico se instala em seu joelho esquerdo. A partir daí começam brigas com o dirigentes, encerra seu ciclo no clube alvinegro e é vendido ao Corinthians antes mesmo da Copa da Inglaterra, em 1966.

Sua passagem pelo time paulista é meteórica e no final da temporada recebe passe livre. Garrincha tentou a reabilitação no exterior. Primeiro defende o Atlético Júnior, da Colômbia, e depois, em 1970, vai para Itália atrás de um clube para jogar. Sem sucesso, volta para o Brasil para jogar no Flamengo, time que torcia quando criança. "Nasci Flamengo, mas cresci Botafogo", afirmou "Mané". Seus últimos passos antes de encerrar a carreira foram no Olaria, em 72.