Jogadores preferiram não desfilar no carro de bombeiros. Até prédio do Congresso tinha faixas
BRASÍLIA -
Quando o avião aterrissou, lá estavam Felipão na janela do lado direito e o capitão Cafu, na do lado esquerdo, ambos imitando o gesto de Romário em 1994, segurando bandeiras brasileiras. Foi Cafu também quem primeiro desceu do Boeing 707 da Varig, decorado especialmente para conduzir a Seleção. Trouxe nas mãos o objeto de desejo nacional: a Taça Fifa, de campeão do mundo. Os jogadores quebraram o protocolo e, em vez de seguirem para o caminhão do Corpo de Bombeiros, optaram por subir nos dois trios elétricos que puxavam o carnaval fora de época. Os bombeiros, que há 15 dias se preparam para o momento de glória, não esconderam a frustração.
Começava, naquele instante, a catarse patriótica que tomou conta de Brasília. O caminho entre a Base Aérea e o Palácio do Planalto durou três horas e meia. Brasília se rendeu a Felipão. Faixas homenageavam o técnico, que esqueceu a sisudez habitual, beijou a taça e, apesar de desajeitado, dançou em cima do caminhão. No eixo rodoviário sul, as árvores e os postes transformaram-se em arquibancadas para os torcedores. Uma faixa traçava toda a genealogia do pentacampeonato. ''Meu avô foi bi, meu pai foi tri, eu sou tetra e meu filho é penta. A Copa do sono é nossa.''
Políticos e militantes também aproveitaram para tentar tirar a sua casquinha da festa. ''Só falta uma estrela: Lula lá no Planalto'', dizia uma faixa. Outra garantia que ''Brasília tem cinco erres: Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Roberto Carlos e Roriz'', numa alusão ao governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB). Os servidores do Banco Central jogaram papéis picados das janelas do prédio, um dos mais altos da cidade. Do alto do edifício-sede da Caixa Econômica Federal, balões verdes e amarelos ganharam o céu azul de Brasília.
Apesar das 24 horas de vôo de Yokohama, no Japão, até Brasília, os jogadores entraram no ritmo da torcida: distribuíram autógrafos, dançaram, filmaram a festa da população e embalaram a taça na frente da platéia. A entrada na Esplanada dos Ministérios foi apoteótica: 500 mil pessoas esperavam o cortejo, tendo ao fundo o Congresso Nacional com uma faixa verde-amarela em cada um de seus dois prédios principais. A Esquadrilha da Fumaça apareceu para escrever no alto: ''É penta.''