Duas mil pessoas, muitas levadas por políticos, entraram no palácio e criaram confusão
BRASÍLIA -
A segurança e o cerimonial do Palácio do Planalto perderam ontem o controle da situação na festa em homenagem aos pentacampeões do mundo. Mais de duas mil pessoas invadiram o palácio para ver os jogadores. Muitos saíram decepcionados pois não conseguiram pegar autógrafos. Houve até brigas entre deputados e seguranças.
Nem os filhos das autoridades escaparam dos empurrões. Ana Carolina, de 7 anos, filha do líder do governo no Congresso, deputado Artur Virgílio (PSDB-AM), foi espremida pelos agentes quando tentava pegar o autógrafo de Ronaldinho. O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) trocou socos com os seguranças que tentaram impedi-lo de chegar mais perto da Seleção. Perondi liderou um grupo de 20 parlamentares que furaram a barreira para cumprimentar os jogadores.
Até o vice-presidente Marco Maciel estava espremido no cordão de isolamento. Ele levou a mulher, Ana Maria, e os filhos para a solenidade. Na hora da condecoração aos jogadores, segundo o cerimonial, somente Maciel poderia acompanhar o presidente. Mas ele entrou com toda a família. Parlamentares e ministros fizeram o mesmo. O coordenador da campanha de José Serra à presidência, deputado Pimenta da Veiga (PSDB-MG), estava com a esposa Ana Paola, os filhos e os dois netos vestidos com a camisa da Seleção.
Em clima de patriotismo embalado ao som da banda Olodum, o Palácio do Planalto estava tomado de torcedores. Em cada gabinete havia uma família grudada nos vidros dos janelões ver a Seleção. A cada aparição dos jogadores, as paredes tremiam.
Apesar das exigências de credenciamento, as autoridades palacianas não deram o exemplo. O chefe do Gabinete Civil da Presidência, Pedro Parente, levou tanta gente que ao atravessar as barreiras parava para contar a criançada. O chefe de gabinete de Parente, Silvano Gianni, do gabinete Civil da Presidência, ficou estarrecido com a quantidade de gente. ''Nunca vi nada parecido'', comentou.
Apesar do atraso de quase cinco horas, somente água foi servida aos convidados. Mas a maior reclamação ocorreu quando o presidente Fernando Henrique e os convidados vips tomaram a frente dos populares para condecorar os jogadores. ''Sai da frente'' berraram os torcedores palacianos. O presidente ignorou. ''Isso aqui está uma loucura, uma loucura'', concluiu Fernando Henrique. Ao final, era tanta sujeira que o Palácio do Planalto parecia ter sido palco de um baile de carnaval.