BRASÍLIA -
A pequena Sude, de três anos, nem quis acordar mais cedo para assistir ao jogo do Brasil contra a Turquia. O pai dela, Ozturk Yilmaz, terceiro-secretário da Embaixada da Turquia em Brasília, foi o único da família que se dispôs a madrugar para conferir a partida. Como o embaixador seguiu os passos - e o sono - de Sude, sobrou para o segundo no comando da embaixada a recepção aos jornalistas na hora do jogo. Meio sem graça, Ozturk deixou alguns repórteres assistirem à partida na sala de estar da embaixada.
O motivo para a falta de festa no corpo diplomático turco não era o favoritismo do Brasil. Uma razão bem mais prosaica impedia qualquer festança: apenas 17 turcos vivem no País - fora a esposa e a filha de Ozturk, além do próprio. Fazendo as vezes da torcida turca no Brasil, Ozturk e família não decepcionaram. ''Estou otimista'', anunciou. O diplomata e a mulher, Ozay Yilmaz, torceram com afinco e explodiram em berros ao gol da Turquia. Tanto que acabaram acordando a filha - que não gostou da barulheira.
O intervalo fez Ozturk começar a mudar o discurso. ''Um gol já está bom'', analisou. ''O Brasil deve empatar, aí o resultado fica justo.'' Logo no começo da segunda etapa, Ronaldinho cumprindo a previsão do turco, a família sossegou. Sude apareceu na sala pedindo colo à mãe. Arriscou-se a conferir os raros ataques do Brasil, mas adormeceu depois da saída de Ronaldinho.
O chá turco e os pedaços de bolo servidos pela empregada, a russa Nádia, tiveram efeito imediato no patriarca - ou talvez tenha sido a falta de movimentação de Luizão e Rivaldo. O fato é que Ozturk parou o falatório em turco contra o árbitro coreano e relaxou no sofá com a filha. Nem o segundo gol do Brasil afetou o torcedor solitário. Ele parecia já esperar. ''É, não teve jeito. Mas foi um bom jogo'', disse.