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Que tal passear no Parque?

Encravado na Serra da Mantiqueira, o Parque Nacional de Itatiaia é um refúgio para o calor do Rio


VERÔNICA LOPES
Jornal do Brasil

João Paulo Engelbrecht
Pegar a Avenida Brasil, seguir pela Dutra e, após 172 quilômetros, vislumbrar um oásis para o infernal calor carioca. O agradabilíssimo refúgio - que antes fazia parte da região serrana do Rio e hoje, por lei, pertence à região das Agulhas Negras - é Itatiaia, mais especificamente seu Parque Nacional, grande alavanca turística do lugar.

Em contraste com as sisudas Michelin e Xerox, que montaram acampamento por ali, a beleza da cidade está no Parque, primeiro do Brasil a ser nomeado Parque Nacional, em 1937, com cachoeiras, trilhas das mais leves às mais exaustivas, visões deslumbrantes do Vale do Paraíba e da Serra da Mantiqueira, fauna e flora que se diferenciam dentro da mesma área.

Estando hospedado nas redondezas ou apenas de visita, vale a pena chegar ao Parque na parte da manhã, restando bastante tempo para conhecer o lugar. Um café da manhã daqueles (se for numa das pousadas locais, não há como ser diferente), roupas confortáveis e surradas, tênis ou botas idem, bastante repelente, boné ou chapéu a postos, uma garrafinha dágua, fôlego e espírito aventureiro já são um bom começo.

O tour começa pelo Centro de Visitantes, onde o dublê de Indiana Jones vai deixar o carro (se for o caso). Não conte com ele nas próximas horas. Todas as trilhas são percorridas a pé e o carro só serve para transportar de uma trilha (ou cachoeira) à outra. O primeiro ponto do tour é o Lago Azul, formado pelo rio Campo Belo que corta boa parte do Parque. Não se arrisque a mergulhar, pois o fundo de pedras e a forte correnteza podem provocar acidentes. Nesta área, há churrasqueiras que podem ser utilizadas mediante reserva antecipada na administração ou no portão principal do Parque (tel: (24) 3352-1461; os ingressos custam R$ 3, veículos R$ 5 e ônibus R$ 10).

No caminho estão a cachoeira Poranga (em tupi, beleza) com 10 metros de queda dágua que formam uma grande piscina natural, e a Piscina do Maromba, ambas perfeitas para o banho. Perto da Piscina está a trilha para a cachoeira Véu da Noiva. São cerca de 20 minutos de caminhada, que incluem lama, chão de rocha escorregadia e obstáculos íngremes. Mas com ajuda, qualquer um consegue chegar. E vale a pena. Depois de suar pela trilha, nada como um banho, cuja pressão da água massageia os músculos, embaixo de uma queda de 40 metros.

Feitos os programas mais lights, chega a hora da verdade para quem chegou até o Parque com disposição de sobra. Aos idosos, crianças e menos audaciosos: é melhor procurar uma grande árvore (que não é nada difícil), montar o farnel e descansar. Mas quem não estiver satisfeito, aventura não falta. Entre as trilhas mais demoradas (e mais bonitas), estão o Maciço das Prateleiras, a 2.548 metros de altitude. De lá de cima, toda a beleza do Vale do Paraíba. São mais de duas horas e meia de caminhada que exigem um bom preparo físico.

Seguindo a ordem de dificuldade, vem os Três Picos, uma caminhada puxada por cerca de três horas. O lugar fica a 1.662 metros de altitude. No caminho, é obrigatório parar para um banho na Cachoeira do Rio Bonito. Por último, o destino mais difícil e mais procurado por quem vai ao Parque atrás de aventura: o Pico das Agulhas Negras. A 2.787 metros de altitude, o pico é o quarto mais alto do país e é necessário um dia inteiro para ir e voltar de lá. A subida é pesada - em alguns trechos é necessário subir com o apoio de uma corda de segurança - e recomenda-se não ir sozinho. O ideal é contratar um guia que conheça o local.

Na hora de ir embora, uma paradinha no Mirante do Último Adeus, uma rocha de 90 metros de altura de onde se tem uma vista linda do rio Campo Belo descendo pelas rochas e do Vale do Paraíba.


ROTEIRO DE DICAS



[Carnaval 2001]