Inconformados em perder por apenas meio ponto e, pela terceira vez consecutiva, para a Imperatriz Leopoldinense, todos que estavam na quadra da Beija Flor de Nilópolis, ontem à tarde, trocaram o samba da escola por gritos de revolta. Em coro eles cantavam ''ih, ih ih, queremos CPI'' e ''quer roubar, quer roubar, o Luizinho vai te ensinar'', em referência ao presidente da Liga das Escolas de Samba e também presidente de honra da verde e branco, Luizinho Drummond.
''Eles deveriam ter perdido ponto em harmonia, pois deixaram buraco no desfile. Isso é injustiça, foi carta marcada. Desde que o Luizinho assumiu a liga, a gente perde para a Imperatriz'', acusou o vice-presidente de patrimônio da escola de Nilópolis, Carlos Adalberto Rodrigues.
Antes do início da apuração, as vozes ecoavam gritos de vitória. E quando foi anunciada a perda de 3 pontos de algumas escolas, entre elas a Acadêmicos do Grande Rio - considerada pela Beija-Flor a maior ameaça-, a quadra foi à loucura. No entanto, depois de a escola receber o único 9,5, no quesito Alegorias e Adereços, a torcida na quadra mudou de enfoque: comemoravam cada vez menos as notas 10 recebidas e esperavam com mais ansiedade a perda de pontos da Imperatriz, o que não aconteceu.
A passista mirim Lucimary Rodrigues, de apenas 10 anos, chorava abraçada ao primeiro passista da escola, Edson Bittencourt. ''Esse foi o primeiro ano em que desfilei e posso dizer que fizemos de tudo. Durante o ano lutamos e praticamos com muito sacrifício. Eu sempre ouvia o samba e dançava até não agüentar mais. Saía da escola, fazia dever de casa e vinha para a quadra. Isso não é justo'', reclamou.
Quando a tristeza começou a diminuir, a quadra entoou o samba numa mistura de amargura pela perda do campeonato e orgulho de torcedor. A madrinha de bateria, Soninha Capeta, que torceu o pé durante o desfile, garante que vai entrar na avenida com o mesmo fôlego da manhã de segunda-feira. ''Vamos mostrar de novo como é lindo nosso carnaval. Vou desfilar como campeã, pois é assim que me sinto. Depois eu vou ao médico e provavelmente terei de engessar o pé'', disse.
Quando a bateria nota 10 da escola pisou no palco da quadra e dois dos puxadores da escola começaram a cantar o samba, quem estava indo embora ou os que resistiam do lado de fora, começaram a entrar e a comemorar. ''Apesar de ter sido segundo lugar, temos que homenagear a comunidade. Vamos tocar samba até que eles cansem'', disse Carlos Adalberto.