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Joãosinho voa alto na Sapucaí

Grande Rio apresenta homem sobrevoando alas e deixa o povo extasiado


Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2001


LETÍCIA HELENA


Carlos Eduardo
Joãosinho Trinta e Eric

Terminado o desfile, Joãosinho Trinta e Eric, o homem-voador, agradeceram ao público

Nem tchutchucas nem popozudas. Um coroa de 67 anos, nordestino e baixinho, foi a maior atração do primeiro carnaval do milênio: Joãosinho Trinta. O carnavalesco da Grande Rio, criador da criatura voadora do Sambódromo, começou mais um século fazendo arte na Sapucaí. A idéia de botar um homem voando - e sobrevoando alas - deixou o público boquiaberto, fez muita gente chorar e levou a escola, para valer, ao rol das grandes do carnaval.

''Era um sonho fazer um homem voar. Acho que consegui'', balbuciou um emocionado Joãosinho, sem conseguir conter o choro, diante do carinho com que seus novos súditos, o povo de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o saudou ao longo da avenida.

Ao que tudo indica, a Grande Rio vai seguir o caminho da Beija-Flor e da Viradouro. Ambas engatinhavam quando Joãosinho chegou. Ficaram grandes, ganharam títulos - e, agora, são duas das favoritas para disputar o título com a caçula do carnavalesco. ''Os jurados vão ver agora que a Grande Rio é uma escola grande'', afirmou.

Nem têm outra opção. O homem voador deu asas à imaginação do pequeno público que aguardou o dia nascer juntamente com a passagem da Grande Rio. Pequeno, mas preparado para aplaudir. Quando Joãosinho despontou na concentração, a platéia da arquibancada popular entoou: ''Joãosinho/cadê você/eu vim aqui só pra te ver''.

João chegou a grade, apertou mãos, tirou fotos. Parou somente para ver sua criatura: o dublê norte-americano Eric Scott, o homem voador da Grande Rio. A idéia de fazer alguém voar já fora tentada pela Mocidade Independente, sem o mesmo sucesso. ''Procurei, procurei e acabei encontrando o equipamento certo. Já tinha avisado que ia fazer uma coisa surpreendente na avenida, que, dificilmente alguém conseguirá repetir'', gabou-se.

Repetir, talvez não. Mas, fazer um homem voar não parece ter sido suficiente para o criador da obra. ''Com imaginação, a gente vai longe. Tenho muitas coisas para fazer ainda'', afirmou. Até porque, a tecnologia - que teria custado à escola US$ 143 mil (R$ 248 mil) - não foi à toa. A idéia do carnavalesco era mostrar a dualidade entre a capacidade de criação do ser humano e a incapacidade de resolver problemas como a fome e a miséria.

''Estamos vivendo uma encruzilhada. O homem é capaz de ir à lua, mas não consegue acabar com a fome e com a violência. Só tem uma saída: a espiritualidade'', decreta Joãosinho. ''A gente tem que pensar mais nos necessitados e principalmente nas crianças'', pediu.

Com esse objetivo, Joãosinho escolheu um personagem simples para marcar sua estréia na escola de Duque de Caxias: o maluco beleza José Daltrino, conhecido como Gentileza. Na avenida - perdão pelo trocadilho - Gentileza gerou um desfile de rara beleza. Em que a tecnologia do Ícaro moderno casou perfeitamente com a singeleza das alegorias enfeitadas com mensagens do profeta, flores, pássaros.

Parece São Francisco de Assis? Pois é, até nisso João foi genial. Homenageou seu santo de cabeceira sem criar atrito com a Igreja. Os gritos de ''é campeã, é campeã'' soaram como prece nos ouvidos dos dirigentes da Grande Rio. Podem ter servido como o hino da vitória.


Piloto fica emocionado

Aluguel do foguete custou R$ 248 mil