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Limpeza da pista tem seu macete
Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2001
O lixo da Passarela do Samba não é composto de material em decomposição. O lixo é um luxo, porque tem purpurina, brocado, plumas, penas, confete e serpentina, restos de fantasia, pedaços de alegria. Você varre e varre, mas muita coisinha pequena fica para trás. Por isso, os garis gostam de chuva: fica mais fácil remover a sujeira misturada com a água. Eles dizem que varrer em casa é ''pentear o chão'', mas, na avenida, varrer é empurrar o lixo. Meus companheiros de faxina criticaram a minha vassoura, alegando que ela era brocha, ou seja, de piaçava mole e não dura, que é a ideal. E o sonho deles é encontrar lixo de rico, chamado ''boca de galão'', que quase sempre tem coisa de valor ou aproveitável.
O trabalho na Marquês de Sapucaí não é árduo, pede pouco esforço, mas exige muita rapidez, pois em 15 minutos, no máximo, a pista deve estar limpa, sem nada a atrapalhar a exibição dos sambistas e sambeiros. Depois da correria, uma hora para relaxar, ver as escolas. O trabalho é divido por três equipes: uma varre da concentração até a altura da Rua Júlio do Carmo; a segunda segue adiante em direção a Avenida Salvador de Sá; e, a outra, daí até a área da dispersão. Eu tive o privilégio de trabalhar em todas. A pressão é muito grande na primeira, porque vem atrás uma agremiação louca para desfilar. Na última equipe é festa, pois dá para sambar. Mas não pense que se pode cortejar, paquerar, as mulheres. Ninguém, e muito menos elas, dá bola para o pessoal da unidos da Comlurb.(CM)
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